Catarinenses acolhem Brasil Afroempreendedor

A abertura do Seminário de Santa Catarina do Projeto Brasil Afroempreendedor, nesta quinta, 13, reuniu empreendedores negras e negros, parlamentares e representantes de autoridades municipais e estaduais. O tom das intervenções foi de reconhecimento da importância do projeto para os empreendedores negros e negras, segmento que, apesar de ter cada vez maior poder aquisitivo, com mais exigências em todos os setores, ainda continua a ser alvo dos piores índices, quando o assunto é distribuição de renda, acesso a mercados, anos de estudo, entre outros itens.

A manhã foi dedicada à apresentação cultural, apresentação do projeto e a palestras sobre o universo empreendedor em Santa Catarina. A mesa de abertura foi composta pela deputada federal Luci Choinacki (PT/SC), pelo deputado estadual Sandro Silva (PPS), pelo diretor da FECESC, Nadir Cardoso, pela coordenadora da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial de Florianópolis (COPPIR), Flávia Lima, pelo presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPA), José Ribeiro, pelo coordenador regional do Sebrae/SC, Wilson Sanches Rodrigues e pelo presidente do Instituto Adolpho Bauer (IAB), Francisco Rodrigues da Silva Sobrinho. A deputada estadual Angela Albino (PCdoB), também participou da abertura.

Antes das intervenções, o artista JB declamou poesias do poeta catarinense Cruz e Sousa. Após, os integrantes da mesa passaram a fazer suas manifestações. “A ideia é construir um projeto similar em Florianópolis”, declarou a coordenadora da COPPIR, Flávia Lima. Já o diretor da FECESC Nadir Cardoso lembrou que o público negro é sempre cobrado a fazer mais e melhor. “Por isso é importante apoiar a iniciativa.” Já o coordenador regional do Sebrae/SC apresentou algumas informações que mostram a importância dos microempreendedores individuais e micros e pequenos empresários para o desenvolvimento do estado. “Independente do número de pessoas atendidas pelo projeto, estamos prontos para atender bem mais do que está previsto”, afirmou.

O presidente do IAB (Instituto Adolpho Bauer), Francisco Rodrigues da Silva Sobrinho, lembrou um dos principais objetivos do projeto, a criação da rede nacional de afroempreendedores. “Nosso projeto culminará em uma rede nos moldes do que foi feito em outros países, particularmente nos Estados Unidos. A união dos afroempreendedores é que fará a diferença em nosso projeto”, disse. Em sua intervenção, o deputado estadual Sandro Silva destacou o fato de que o empreendedorismo “está no sangue do povo negro, e nos foi negado lá atrás esse direito”. Segundo ele, o estado de Santa Catarina, conhecido como um dos mais brancos do país, tem muitos empresários negros e negras. E defendeu a ousadia do projeto e a participação do Sebrae. Por fim, a deputada federal Luci Choinacki enalteceu a coragem e a ousadia dos participantes do projeto. “Nesse país, se branco pobre sofre, imagina o negro”, discorreu. A deputada defendeu o enfrentamento dessa que considera uma das maiores e mais importantes lutas contra o racismo, a superação da barreira econômica. “Os negros lutaram para não vir e agora lutam pelo acesso aos meios de sobrevivência, uma luta eterna.”

Apresentação do projeto

Na sequência da programação, houve uma apresentação sintética do projeto pelo coordenador executivo João Carlos Nogueira, destacando seus principais objetivos e metas. Em seguida, o coordenador executivo passou a palavra para o consultor do Sebrae/SC, da unidade de Gerência de Gestão Estratégica, Douglas Luiz Tres. Já no começo, ele destacou a postura necessária para o empreendedor: “Quando o empreendedor descuida do planejamento, isso implicará em um desafio futuro”. Ao final, elencou algumas dos desafios para os empreendedores negros e negras: antecipação de mudanças, conhecimento dos negócio conhecimento da equipe de funcionários, avaliação de desempenho e hábitos de executivos de fato.

Durante a tarde, o consultor do Sebrae Nacional, Antonio Thobias, apresentou a palestra sobre orientações para elaboração de plano de negócios, construção de cenários de sucesso e análise de mercado. “É preciso ter talento e estratégia para os nossos negócios”, disse. Thobias lembrou a originalidade do projeto, que prevê a criação de um coletivo de empreendedores negros e negras para a disputa do mercado. Após, o coordenador institucional do projeto, Adilton de Paula, apresentou detalhes sobre a participação dos afroempreendedores inscritos no projeto. Na sexta, as palestras serão sobre Organização dos negócios, Fontes de fomento e financiamento, Administração e controle financeiro. Ao final, serão feitos os encaminhamentos finais do seminário.

 

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