Encerramento seminário em Santa Catarina
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Histórias de empreendedores dão vida ao seminário de Santa Catarina

Ao final dos dois dias de trabalho no seminário do Projeto Brasil Afroempreendedor em Santa Catarina, uma certeza se impôs: a iniciativa veio preencher uma lacuna decisiva na vida dos micro e pequenos empresários e microempreendedores individuais afro-brasileiros do estado. Mais do que isso, reuniu empreendedores negros e negros que já tinham necessidade de entrar em contato com outros empreendedores, aumentando seu campo de ação, trocando experiências, apontando para a formação de algo maior do que o seu universo cotidiano. E a proposta de formação de uma rede entre esses empresários, objetivo tão importante no projeto quanto capacitação e qualificação empresarial, mesmo antes de ser formulada pela equipe do projeto, foi estimulada pelos próprios afroempreendedores.

A programação do seminário, com palestras sobre estruturação dos negócios, financiamento, administração e controle financeiro e o trabalho em grupo para um exercício de elaboração dos planos de negócios remeteram à parte prática da gestão dos empreendimentos. A participação foi ativa e qualificada, sugerindo questões que os palestrantes procuraram esclarecer. Mas foram os depoimentos, as histórias de vida, as dificuldades e, principalmente, as estratégias, ainda que muitas vezes precárias para superá-las, que deram vida ao seminário. Os começos quase sempre são simples. E não tiveram finais felizes, porque continuam constantemente a propor desafios. Santa Antônia é um caso típico. Trabalha com reciclagem de tecido. Precisa de pessoas para trabalhar, mas não encontra. O que fez? Passou a formar sua mão de obra. Detalhe: não qualquer pessoa, mas mulheres na terceira idade, de preferência negras. “Damos preferência para esse público que quer, mas não consegue entrar no mercado.”

Itamar é outro caso de quem está sempre à procura de saídas. Começou com uma loja de calçados, hoje tem uma locadora. “Os negócios crescem até encontrar o gargalo do financiamento, das soluções para manter seus negócios, evitar fechar as portas”, diz. Insiste em que é preciso trabalhar a rede dos empresários negros. “Muitas vezes, encontram produtores negros que podem colaborar com nossos negócios, temos de manter contato, como fazem em outras etnias, que compram produtos de comerciantes com quem se identificam.”

Muitas mulheres estavam no seminário, a maioria dos participantes. Aliás, fato que repetiu os seminários de São Paulo e do Maranhão. E os depoimentos se repetem. Vida difícil, trabalhos como cozinheira, diarista, mulheres separadas, tendo de criar filhos sozinhas. Até que dá o estalo, sem informação, sem recursos, apenas a vontade: abrir um negócio. E começa a correria, portas fechadas, linguagem estranha, incompreensível, fluxo de caixa, gestão. Dá vontade de desistir de tudo. Mas tem os filhos, e tem a vontade de ser patroa de si mesmas, não prestar mais contas para ninguém. Esta é a força do Projeto Brasil Afroempreendedor. Detectar essa vontade, chegar a esse público, fortalecer seus negócios, não deixar que morra a necessidade de autonomia.

Próxima parada, Rio de Janeiro

O seminário de Santa Catarina terminou com um ótimo saldo, do ponto de vista da qualificação dos participantes. Ainda falta um extenso caminho, até fechar o número de inscritos – são 100 por estado – e organizá-los na rede de afroempreendedores no estado. Mas todos, sem exceção, mostraram empolgação e assumiram o compromisso de mobilizar mais pessoas para o projeto. O próximo seminário acontece no Rio de Janeiro, nos dias 27 e 28 de março. Até maio, todos os 12 seminários serão realizados.

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