Os donos de negócios no Brasil: Análise por raça/cor

Introdução

O estudo da segmentação do Público-Alvo do Sebrae é indispensável e deve preceder à elaboração de novos produtos e serviços. Em 2013 o Sebrae ampliou sua linha de estudos sobre os empreendedores de Pequenos Negócios, elaborando uma série de publicações inéditas sobre “Os Donos de Negócio no Brasil”, utilizando como recortes as principais variáveis que ajudam a caracterizar esse grupo de pessoas, por exemplo: o estudo sobre os Donos de Negócio por sexo (homem x mulher), por faixa etária (jovens x não jovens); Empresários, Potenciais Empresários e Produtores Rurais; etc. Este relatório tem como objetivo apresentar as principais características dos Donos de Negócio no Brasil, de acordo com a raça/cor declarada por eles. O trabalho utiliza como base as informações disponíveis nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, em especial a de 2011, a última disponível até o momento em que esta publicação foi elaborada.

No primeiro capítulo do relatório, são apresentadas algumas definições básicas utilizadas na elaboração deste documento.

No capítulo seguinte, são apresentadas as informações disponibilizadas para três categorias de raça/cor: pretos e pardos, brancos e outros. Para cada uma das categorias em estudo, são analisadas informações tais como: a quantificação do universo, o tipo de ocupação, a posição no domicílio, sexo, escolaridade, faixa etária, rendimento médio mensal, idade em que começou a trabalhar, tempo no trabalho atual, carga de trabalho semanal, recursos de telefonia e informática, Previdência Social, local de trabalho, setor de atividade, principais segmentos de atividade e a distribuição por regiões do País e por UF.

O último capítulo é reservado às considerações finais.

1 – DEFINIÇÕES BÁSICAS

De acordo com a PNAD1 , no âmbito do mercado de trabalho, os indivíduos que são donos de negócios podem ser identificados em duas posições na ocupação:

  • “Conta Própria” – Pessoa que trabalha explorando o seu próprio empreendimento, sozinha ou com sócio, sem ter empregado e contando, ou não, com a ajuda de trabalhador não remunerado (IBGE, op. cit.); e
  • “Empregador” – Pessoa que trabalha explorando o seu próprio empreendimento, com pelo menos um empregado (IBGE, op. cit.)

Noventa e nove por cento das empresas no País são empreendimentos de micro e pequeno porte2 (portanto, seus donos tendem a ser donos de Pequenos Negócios), e quase 100% dos Conta Própria atuam em Pequenos Negócios. Logo, a soma dos Empregadores e dos Conta Própria da PNAD pode ser considerada como uma boa proxy do conjunto de indivíduos que são donos de Pequenos Negócios no País.

Como a PNAD permite identificar os donos de negócios por raça/cor, é possível segmentar e analisar esse conjunto de pessoas em pelo menos três grandes grupos, conforme a raça/cor declarada por eles: brancos, pretos e pardos e outros. Nesta categoria estão os donos de negócios que se declararam amarelos, indígenas ou não declararam sua raça/cor. Vale observar que a categoria “outros” representa apenas 1% do total e é constituída majoritariamente por amarelos.

1 IBGE (2011), “Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2011”. Rio de Janeiro, v. 31, p.1-135.
2 Sebrae/DIEESE (2012), “Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa: 2012”. Brasília, DF: DIEESE, 284 p.

2 – Donos de negócios por raça/cor

2.1 – Evolução 2001-2011

De acordo com o IBGE, entre 2001 e 2011, o número de donos de negócios no País cresceu 13%, passando de 20,2 milhões para 22,8 milhões de pessoas. Nesse mesmo período, o número dos que se declaravam pretos e pardos cresceu 29%, passando de 8,6 milhões para 11,1 milhões de pessoas (Gráfico 1), o número dos que se declaravam brancos aumentou 1% (passando de 11,4 milhões para 11,5 milhões de pessoas) e a categoria outros apresentou expansão de 42% (passando de 185 mil para 262 mil).

Gráfi co 1– Número de donos de negócios no Brasil, entre 2001 e 2011, por raça/cor

Nota:
Em função disso, a participação relativa dos brancos caiu de 56% para 50% (Gráfico 2), a dos pretos/pardos passou de 43% para 49% e a categoria outros permaneceu próxima a 1% do total. A dinâmica aqui identificada está em sintonia com o quadro geral da população brasileira. Segundo estudo do IPEA3, elaborado com base nos últimos dois Censos Demográficos (2000 e 2010), na última década, houve expansão expressiva do número de pessoas que se autodeclaravam pretas e pardas. Segundo o estudo citado, a população negra (pretos e pardos) chegou a superar a branca em termos absolutos. Contribuíram para isso, principalmente, o maior número de pessoas que passou a preferir se declarar como pretos e pardos e a fecundidade mais elevada observada nas mulheres pertencentes a esta categoria4.

3 “Dinâmica demográfica da população negra brasileira”. Comunicado do Ipea nº 91 – 12 de maio de 2011
4 “Os brancos sempre foram majoritários no total da população brasileira. O Censo Demográfico de 2010 mostrou, porém, que, naquele ano, a população negra superou a branca. Foram encontradas 97 milhões de pessoas que se declararam negras, ou seja, pretas ou pardas, e 91 milhões de pessoas brancas. Isso pode ser decorrente da fecundidade mais elevada observada entre as mulheres negras, mas, também, de um possível aumento de pessoas que se declararam pardas em relação aos censos anteriores.” IBGE (op. cit., p. 17).

Gráfi co 2– Distribuição dos donos de negócios no Brasil, em 2001 e 2011, por raça/cor (em %)

2.2 – Tipos de ocupação

Quando cruzadas as informações sobre raça/cor e tipo de ocupação no mercado de trabalho (Conta Própria e Empregador), verifi ca-se que 86% dos donos de negócios são Conta Própria e 14% são Empregadores (Tabela 1). No grupo dos donos de negócios pretos e pardos, a proporção de Conta Própria sobe para 92%, mostrando que nessa categoria os negócios tendem a ter uma estrutura mais simples e/ou com menor densidade de capital. Apenas 8% dos donos de negócios pretos e pardos são Empregadores. Entre os donos de negócios brancos, a proporção de Conta Própria é de 81% e de Empregadores é de 19%. Na categoria outros, a proporção de Conta Própria é de 80% e de Empregadores é de 20%.

Vale lembrar que empreendimentos de “uma pessoa só”, em geral, envolvem estruturas mais simples de operação. Em alguns casos, pode representar também maior precariedade: o negócio depende quase que exclusivamente do dono.

Tabela 1– Número de Donos(as) de Negócio por posição na ocupação no mercado de trabalho e raça/cor, em 2011

[table tf=”last”]
-,Preta/parda[attr colspan=”2″],Branca[attr colspan=”2″],Outras[attr colspan=”2″],TOTAL[attr colspan=”2″]
Conta Própria,10.170.687,92%,9.283.954,81%,210.246, 80%,19.664.887,86%
Empregador, 913.340,8%,2.210.659,19%, 51.758,20%, 3.175.757,14%
TOTAL,11.084.027,100%,11.494.613,100%, 262.004,100%, 22.840.644,100%
[/table]

Fonte: Sebrae, a partir de processamento dos dados do IBGE (PNAD 2011)

Se levarmos em conta apenas o conjunto dos Conta Própria existentes no país (19,7 milhões de pessoas), verifica-se que 52% são pretos e pardos, 47% são brancos e 1% outros (Gráfico 3). Tomando apenas o conjunto dos Empregadores existentes no país (3,2 milhões de pessoas), verifi ca-se que 29% são pretos e pardos, 70% são brancos e 2% outros. Verifica-se, portanto, que a proporção de pretos e pardos é muito maior no grupo dos Conta Própria do que no grupo dos Empregadores.

Gráfi co 3 – Composição de Empregadores e Conta Própria por raça/cor, em 2011

2.3 – Posição no domicílio

Nos três grupos analisados, em termos proporcionais, não há diferenças expressivas quanto à posição dos donos de negócios no domicílio. A maioria, além de chefiar seu negócio, tem a responsabilidade de chefiar uma unidade familiar (Gráfico 4)

Na categoria pretos e pardos, 62% são chefes de domicílio, 22% são cônjuges, 12% são filho(a)s e 5% possuem outros vínculos familiares (ex.: parentes, agregados e pensionistas).

Entre os brancos, 60% são chefes do domicílio, 25% são cônjuges, 11% filho(a)s e 3% possuem outros vínculos familiares. Na categoria outros, 61% são chefes do domicílio, 27% são cônjuges, 8% filho(a)s e 3% possuem outros vínculos familiares.

Gráfi co 4– Distribuição por posição no domicílio (2011)

Nota: (*) Outros: parentes, agregados, pensionistas e outros.

2.4 – Sexo

Entre os donos de negócios existentes no Brasil, 31% são mulheres e 69% são homens. A participação das mulheres é ligeiramente maior na categoria outros (principalmente amarelos), com uma proporção que chega a 34% do total, e cai para 32% na categoria dos brancos e 29% entre os pretos e pardos.

A participação dos homens é de 71% nos pretos e pardos, 68% nos brancos e 66% nos outros (e 69% na média geral).

Gráfi co 5– Distribuição por sexo (2011)

2.5 – Escolaridade

Em termos de escolaridade, há diferenças expressivas entre pretos e pardos e as demais categorias analisadas (Gráfico 6).

No grupo dos donos de negócios pretos e pardos, mais da metade (57%) têm no máximo o fundamental incompleto, 11% têm ensino fundamental completo, 26% têm ensino médio (completo ou incompleto), 2% têm superior incompleto e 4% têm ensino superior completo ou mais.

No grupo dos donos de negócios brancos, 38% têm no máximo o fundamental incompleto, 11% têm ensino fundamental completo, 31% têm ensino médio (completo ou incompleto), 4% têm superior incompleto e 16% têm ensino superior completo ou mais.

Na categoria outros, 40% têm no máximo o fundamental incompleto, 11% têm ensino fundamental completo, 28% têm ensino médio (completo ou incompleto), 3% têm superior incompleto e 18% têm ensino superior completo ou mais.

O número médio de anos de estudo é de 8,5 anos no grupo dos brancos, 8,4 anos na categoria outros e 6,2 anos no grupo dos pretos e pardos.

Em parte, o grau de escolaridade médio mais baixo da categoria pretos e pardos está associado ao fato de que os indivíduos deste grupo entram mais cedo no mercado de trabalho (como se verá mais à frente).

Gráfi co 6 – Distribuição por grau de escolaridade (2011)

Embora o grupo dos pretos e pardos apresente o menor número de anos de estudo, foi o que apresentou a evolução mais forte, na última década (Tabela 2 e Gráfico 7). Entre 2001 e 2011, o número de anos de estudo cresceu 41% no grupo pretos e pardos (passando de 4,4 anos de estudo para 6,2 anos de estudo), enquanto no grupo dos brancos a expansão foi de 17% (passando de 7,2 para 8,5 anos de estudo) e na categoria outros houve queda de 7% (passando de 9 para 8,4 anos de estudo).

Tabela 2 – Número médio de anos de estudo, 2001 e 2011 (em anos de estudo)

[table tf=”last”]
-,Preta/parda,Branca,Outras,TOTAL
2001,4\,4,7\,2,9\,0,6\,0
2011,6\,2, 8\,5, 8\,4, 7\,3
Taxa de expansão,41%,17%,-7%,22%
[/table]

Fonte: Sebrae, a partir de processamento dos dados do IBGE (PNAD 2011)

Gráfi co 7 – Número médio de anos de estudo, 2001 e 2011 (em anos de estudo)

2.6 – Faixa etária

Em média, os donos de negócios pretos e pardos são um pouco mais jovens que os demais grupos analisados. A média de idade entre os pretos e pardos é de 42 anos, contra 45 anos no grupo dos brancos e na categoria outros.

Em 2011, entre os donos de negócios pretos e pardos 29% tinham até 34 anos, 50% tinham entre 35 e 54 anos e 21% tinham 55 anos ou mais. No grupo dos brancos, 26% tinham até 34 anos, 51% tinham entre 35 e 54 anos e 24% tinham 55 anos ou mais. Na categoria outros, 28% tinham até 34 anos, 46% tinham entre 35 e 54 anos e 26% tinham 55 anos ou mais. Embora a categoria “outros”, onde predominam os amarelos, a idade média seja a mesma que a dos brancos, a proporção dos que tem mais de 65 anos é maior (chega a 8% nesta categoria, contra 7% nos brancos e 6% nos negros).

Gráfi co 8 – Distribuição por faixa etária (2011)

2.7 – Rendimento médio mensal

Em 2011, o rendimento médio mensal dos donos de negócios pretos e pardos foi de R$1.039/mês, contra R$2.019/mês nos brancos e R$1.976/mês na categoria outros. Em termos de salários mínimos, os pretos e pardos percebiam cerca de 2 S.M./mês enquanto as demais categorias analisadas percebiam cerca de 4 S.M./mês.

No mesmo ano, entre os pretos e pardos, 75% percebiam um rendimento mensal de até dois salários mínimos (S.M.), 18% entre dois e cinco S.M e 7% mais de cinco S.M. (Gráfico 9). No grupo dos brancos, 51% percebiam um rendimento mensal de até dois salários mínimos (S.M.), 29% entre dois e cinco S.M e 20% mais de cinco S.M. Na categoria outros, 52% percebiam um rendimento mensal de até dois salários mínimos (S.M.), 28% entre dois e cinco S.M. e 20% mais de cinco S.M.

Embora o grupo de donos de negócios pretos e pardos apresente o menor rendimento médio real em 2011, foi o que apresentou a evolução mais forte, na última década (Tabela 3 e Gráfico 10). Entre 2001 e 2011, o rendimento médio real cresceu 70% no grupo pretos e pardos (passando de R$ 612 para R$ 1.039/mês), enquanto no grupo dos brancos a expansão foi de 37% (passando de R$ 1.477 para R$ 42.019/mês), e na categoria outros houve queda de 40% (passando de R$ 3.296 para R$ 1.976/mês).

Gráfi co 9 – Distribuição por faixa de rendimento médio mensal (2011)

Tabela 3 – Rendimento médio mensal, em 2001 e 2011 (em R$ de 2011)

[table tf=”last”]
-,Preta/parda,Branca,Outras,TOTAL
2001,R$ 612,R$ 1.477,R$ 3.296,R$ 1.126
2011,R$ 1.039,R$ 2.019,R$ 1.976,R$ 1.541
Taxa de expansão,70%,37%,-40%,37%
[/table]

Fonte: Sebrae, a partir de processamento dos dados do IBGE (PNAD)
Nota: dados já deflacionados

Gráfi co 10 - Rendimento médio mensal, em 2001 e 2011 (em R$ de 2011)

2.8 – Idade em que começou a trabalhar

Em geral a maioria dos donos de negócios começou a trabalhar antes dos 18 anos de idade. No grupo dos pretos e pardos, a proporção dos que começaram a trabalhar até os 17 anos é ligeiramente maior, quando comparada aos demais grupos de análise.

No grupo dos donos de negócios pretos e pardos, 85% começaram a trabalhar com até 17 anos de idade, 14% começaram a trabalhar entre 18 e 24 anos e 1% a partir dos 25 anos de idade.

No grupo dos donos de negócios brancos, 78% começaram a trabalhar com até 17 anos de idade, 20% começaram a trabalhar entre 18 e 24 anos e 2% a partir dos 25 anos de idade.

Na categoria outros, 79% começaram a trabalhar com até 17 anos de idade, 17% começaram a trabalhar entre 18 e 24 anos e 4% a partir dos 25 anos de idade.

Em parte, a maior proporção dos que começaram a trabalhar mais cedo no grupo dos pretos e pardos parece estar associada ao menor grau de escolaridade desse grupo. Os indivíduos deste grupo ingressam mais cedo no mercado de trabalho, o que tende a reduzir o grau médio de escolaridade do grupo.

Gráfi co 11 – Distribuição por faixa de idade em que começou a trabalhar (2011)

2.9 – Tempo no trabalho atual

A maioria dos donos de negócios está na atividade atual há mais de cinco anos, sendo o grupo outros o que apresenta a maior proporção de pessoas que está há mais de cinco anos na atividade atual. Entre os pretos e pardos, 60% estão há mais de cinco anos trabalhando na atividade atual, 18% trabalham na atividade atual há algo entre dois e cinco anos e 21% há no máximo dois anos (Gráfico 12).

Entre os brancos, 64% estão há mais de cinco anos trabalhando na atividade atual, 18% trabalham na atividade atual entre dois e cinco anos e 18% há no máximo dois anos.

Na categoria outros, 66% estão há mais de cinco anos trabalhando na atividade atual, 18% trabalham na atividade atual entre dois e cinco anos e 17% há no máximo dois anos.

Um maior número de anos no trabalho atual pode ser visto como um aspecto positivo, pois os indivíduos nessa situação já passaram pelos períodos iniciais do negócio, períodos que costumam ser os que apresentam maior taxa de mortalidade dos negócios. Além disso, maior número de anos na mesma atividade tende a conferir maior grau de experiência no ramo.

Gráfi co 12– Distribuição por tempo no trabalho atual (2011)

2.10 – Carga de trabalho semanal

Em média, os donos de negócios pretos e pardos trabalham 39 horas semanais, os brancos 42 horas semanais e os outros trabalham 40 horas semanais. O menor número de horas semanais de trabalho daquela primeira categoria parece estar associado aos tipos de atividades realizadas por seus integrantes. Nele, há maior proporção de pessoas que atuam em atividades intermitentes (p. ex. agropecuária e construção) que trabalham em atividades do tipo “bico” e/ou com maior precariedade (p. ex. ambulantes, comércio de sucatas e resíduos, venda por catálogo, “faz tudo” etc).

No grupo do donos de negócios pretos e pardos, 34% trabalham até 39 horas por semana, 31% trabalham entre 40 e 44 horas semanais e 35% trabalham 45 horas ou mais (Gráfico 13).

No grupo dos brancos, 28% trabalham até 39 horas por semana, 32% trabalham entre 40 e 44 horas semanais e 39% trabalham 45 horas ou mais.

Na categoria outros, 34% trabalham até 39 horas por semana, 28% trabalham entre 40 e 44 horas semanais e 38% trabalham 45 horas ou mais.

Gráfi co 13 – Distribuição por carga de trabalho semanal (2011)

2.11 – Recursos de telefonia

Em geral, os recursos de telefonia móvel são mais frequentes no grupo dos donos de negócios brancos e os de telefonia fixa no grupo outros.

Entre os brancos, 94% têm telefone fixo e/ou celular, 92% têm celular no domicílio, 82% têm celular pessoal e 53% têm telefone fixo no domicílio (Gráfico 14).

Entre os pretos e pardos, 86% têm telefone fixo e/ou celular, 85% têm celular no domicílio, 70% têm celular pessoal e 31% têm telefone fixo.

Na categoria outros, 83% têm telefone fixo e/ou celular, 81% têm celular no domicílio, 71% têm celular pessoal e 55% têm telefone fixo.

Em parte, o maior acesso ao uso de recursos de telefonia móvel, entre os donos de negócios brancos, pode estar associado à maior renda e escolaridade desse grupo.

Gráfi co 14 – Recursos de telefonia, no domicílio, em 2011 (apenas quem possui)

2.12 – Recursos de informática

A exemplo do verificado no caso dos recursos de telefonia, em geral, os recursos de informática são mais frequentes no grupo dos donos de negócios brancos. Seguem-se as categorias outros e pretos e pardos. O menor acesso ao uso de recursos de informática pelos pretos e pardos parece estar associado ao menor nível de renda e escolaridade destes.

No grupo dos donos de negócios brancos, 59% possuem micro no domicílio, 52% têm internet no domicílio, 49% acessaram a internet nos últimos três meses “em algum local” e 41% não possuem micro em casa.

No grupo dos donos de negócios pretos e pardos, apenas 34% possuem micro no domicílio, 28% têm internet no domicílio, 28% acessaram a internet nos últimos três meses “em algum local” e 66% não possuem micro em casa.

Na categoria outros, 51% possuem micro no domicílio, 48% têm internet no domicílio, 45% acessaram a internet nos últimos três meses “em algum local” e 47% não possuem micro em casa.

 Gráfi co 15 – Contribuição à previdência (apenas quem contribui), em 2011 (em %)

2.13 – Previdência social

A proporção de donos de negócios brancos que contribuem para previdência no trabalho principal é maior que nos demais grupos analisados. Já a proporção dos que contribuem para a previdência privada é maior no grupo outros do que nos demais grupos analisados.

Assim, entre os brancos (Gráfico 16), 38% contribuem para a previdência no trabalho principal e 5% contribuem para alguma entidade de previdência privada. No máximo 43% possuem algum tipo de previdência.

No grupo dos pretos e pardos, 18% contribuem para a previdência no trabalho principal e 2% contribuem para alguma entidade de previdência privada. No máximo 20% possuem algum tipo de previdência.

Na categoria outros, 32% contribuem para a previdência no trabalho principal e 7% contribuem para alguma entidade de previdência privada. No máximo 39% possuem algum tipo de previdência.

Trabalhos anteriores do Sebrae5 já haviam mostrado que o acesso à previdência por parte dos donos de negócios tende a ser maior nas atividades urbanas, nos negócios formais, nos empreendimentos mais complexos (com empregados), nos empreendedores de maior renda, mais escolarizados e mais velhos. Em parte, isso ajuda a explicar a menor proporção de donos de negócios pretos e pardos que estão cobertos por algum sistema de previdência. Nesse grupo há maior proporção de indivíduos Conta Própria (sem empregados), que são mais novos, com menor renda e com menor escolaridade.

5 Sebrae (2013), “Donos de Negócios no Brasil: Empresários, Potenciais Empresários e Produtores Rurais no Brasil”, Sebrae (2013), “Donos de Negócios no Brasil: análise por faixa etária” Sebrae (2013), “Donos de Negócios no Brasil: análise por sexo”.

Gráfi co 16 – Contribuição à previdência (apenas quem contribui), em 2011

2.14 – Local de trabalho

Não há diferenças muito expressivas em termos de local de trabalho, quando comparadas as diferentes raças/cores. Estabelecimentos fixos urbanos e estabelecimentos rurais são os dois principais tipos de local de trabalho nas três categorias analisadas.

Na comparação entre brancos e pretos/pardos, neste último grupo é bem menor a proporção dos que trabalham em local fixo urbano. Em consequência disso, é maior a proporção de pessoas que trabalham em estabelecimentos rurais, em locais designados pelos clientes, no próprio domicílio, em áreas públicas e no domicílio do sócio ou freguês. Em parte, isto está associado ao fato de que no grupo dos pretos e pardos é maior a proporção de pessoas que trabalham em atividades agrícolas, atividades urbanas do tipo “bico” e/ou com maior grau de precariedade.

Entre os donos de negócios pretos e pardos, 25% trabalham em estabelecimento fixo (loja, oficina, fábrica ou escritório), 21% em estabelecimento rural (fazenda, sítio, granja ou chácara), 19% em local designado pelo cliente, 16% no próprio domicílio, 8% em área pública, 6% no domicílio do sócio ou freguês, 4% em veículo automotor e 1% em outros locais.

Entre os donos de negócios brancos, 41% trabalham em estabelecimento fixo (loja, oficina, fábrica ou escritório), 17% em estabelecimento rural (fazenda, sítio, granja ou chácara), 15% no próprio domicílio, 13% em local designado pelo cliente, 5% em veículo automotor, 5% em área pública, 4% no domicílio do sócio ou freguês e menos de 1% em outros locais.

Na categoria “outros”, 39% trabalham em estabelecimento fixo, 23% em estabelecimento rural, 14% no próprio domicílio, 10% em local designado pelo cliente, 7% em área pública, 3% no domicílio do sócio ou freguês, 3% em veículo automotor e 1% em outros locais.

Gráfi co 17– Distribuição por local de trabalho (2011)

2.15 – Setor de atividade

O comércio é o setor com maior proporção de donos de negócios, em todas as categorias de raça/cor. A partir da segunda colocação, os rankings se diferenciam, conforme a raça/cor.

Entre os donos de negócios pretos e pardos, 23% estão no comércio, 23% no setor agrícola, 21% no setor de serviços, 19% na construção, 10% na indústria e 4% em outras atividades e/ou atividades mal definidas.

Entre os donos de negócios brancos, 26% estão no comércio, 24% no setor de serviços, 18% no setor agrícola, 12% na construção, 10% na indústria e 10% em outras atividades e/ou atividades mal definidas.

Na categoria outros, 28% estão no comércio, 26% no setor agrícola, 22% no setor de serviços, 7% na construção, 10% na indústria e 8% em outras atividades e/ou atividades mal definidas.

Na comparação entre brancos e pretos e pardos, estes últimos estão proporcionalmente mais presentes nos setores da construção e agrícola, enquanto aqueles primeiros aparecem com maior proporção no comércio e serviços.

Gráfi co 18 – Distribuição por setor de atividade (2011)

2.16 – Principais segmentos de atividades

As Tabelas 4, 5 e 6 apresentam o perfil dos donos de negócios, em termos de segmentos de atividade, por raça/cor. Em geral, nas três categorias em análise, verifica-se elevado número de donos de negócios atuando no atendimento das necessidades básicas da população, nas áreas de alimentação, vestuário, serviços pessoais (ex. cabeleireiros), transporte de passageiros etc.

Não obstante isso, algumas diferenças podem ser observadas. Por exemplo, no grupo dos pretos e pardos, há uma proporção elevada de indivíduos que atuam em atividades mais simples, de menor valor agregado e/ou maior precariedade.

São exemplos a produção de milho, a pesca, o comércio de ambulantes, sucatas e resíduos, venda por catálogos, construção, bares e lanchonetes, “faz tudo”, etc.

Em contraposição a isso, no grupo dos brancos, verifica uma maior proporção de indivíduos que atuam em atividades mais especializadas, que exigem maior grau de escolaridade e/ou que têm maior valor agregado. São exemplos a produção de café, soja e fumo, produtos de metal, edição e gráfica, comércio de cine, foto e som, serviços prestados às empresas (ex. advogados, contabilistas etc), serviços de saúde (ex. médicos), imobiliárias e serviços de engenharia.

No caso da categoria outros, em que pese representar apenas 1% dos donos de negócios do país, verifica-se maior proporção de indivíduos que trabalham em atividades como a produção de mandioca e hortifrutigranjeiros, indústria de malharia e bordados e conservas.

Tabela 4 – Donos de negócios pretos/pardos: principais segmentos de atividade (2011)

[table tf=”last” width=”450px”]
Agropecuária e pesca[attr colspan=”3″]
-,Pessoas,(%)
Milho,436.959,17%
Mandioca,424.005,16%
Gado bovino,282.568,11%
Pesca,205.587,8%
Produção mista (lavoura/pecuária),195.122,8%
Capim\, tubérculos e grãos,160.815,6%
Hortifrutigranjeiros,146.369,6%
Arroz,137.896,5%
Serviços agropecuários,99.509,4%
Extração vegetal,87.770,3%
Outros,420.320,16%
TOTAL,2.596.920,100%
[/table]

 

[table tf=”last” width=”450px”]
Indústria e construção[attr colspan=”3″]
-,Pessoas,(%)
Construção,2.057.139,66%
Confecção de vestuário,175.684,6%
Roupas sob medida,150.396,5%
Alimentos,125.264,4%
Diversos (bijuteria\, brinquedos etc),121.357,4%
Móveis,76.221,2%
Produtos de metal,63.551,2%
Produtos de madeira,60.227,2%
Malharias/bordados,60.020,2%
Produtos têxteis,22.926,1%
Outros,202.635,7%
TOTAL,3.115.420,100%
[/table]

 

[table tf=”last” width=”450px”]
Comércio[attr colspan=”3″]
-,Pessoas,(%)
Alimentos,462.360,16%
Ambulantes,460.160,16%
Reparação de veículos,372.122,13%
Vestuário,351.410,12%
Atacado (diversos),187.563,6%
Diversos (bijuteria\, brinquedos etc),133.703,5%
Material de construção,121.339,4%
Farmácia e perfumaria,96.419,3%
Cine\, foto e som,94.527,3%
Armarinho,83.966,3%
Outros,598.640,20%
TOTAL,2.962.209,100%
[/table]

 

[table tf=”last” width=”450px”]
Serviços[attr colspan=”3″]
-,Pessoas,(%)
Bares e lanchonetes,603.257,15%
Cabeleireiro,532.266,14%
Serviços às empresas,396.904,10%
Transporte de passageiros,341.604,9%
Transporte de carga,338.077,9%
Serviços de saúde,279.998,7%
Entretenimento (música\, dança etc),146.252,4%
Imobiliária,125.447,3%
Serviços de engenharia,122.849,3%
Xerografia\, despachante\, fotografia etc,99.350,3%
Outros,940.170,24%
TOTAL,3.926.174,100%
[/table]

Fonte: Sebrae, a partir de processamento dos dados do IBGE (PNAD 2011).

 2.17 – Distribuição por regiões e UF

Na comparação entre as diferentes categorias de raça/cor, dos donos de negócios no Brasil, verificam-se diferenças marcantes em termos de distribuição regional. A região com maior concentração de pretos e pardos é a Nordeste, enquanto que a região com maior concentração de brancos é o Sudeste, seguido pelo Sul.

Em parte, este padrão parece estar associado à própria dinâmica populacional do país (natalidade, mortalidade, migrações e envelhecimento). Por exemplo6: (i) os negros africanos que foram trazidos para todo o país, durante os séculos XVI e XIX; (ii) as taxas de crescimento demográficas mais elevadas dos principais centros urbanos do Nordeste (comparada à média nacional), onde a população preta e parda já era majoritária7; (iii) a imigração dos europeus, no século XIX e início do século XX, principalmente, em direção ao Sudeste e Sul do país, o que contribuiu para a participação elevada de brancos nestas regiões; e (iv) o fluxo mais recente de imigrantes de origem asiática, fortemente direcionado para poucas regiões do país, por exemplo, a presença da colônia japonesa na cidade de São Paulo (a maior existente fora do Japão), o que explica de forma determinante a forte concentração da categoria outros no estado de São Paulo.

No caso dos donos de negócios pretos e pardos, 41% estão no Nordeste, 30% no Sudeste, 15% no Norte, 8% no Centro-Oeste e 6% no Sul.

No caso dos brancos, 46% estão no Sudeste, 25% no Sul, 17% no Nordeste, 7% no Centro-Oeste e 5% no Norte.

Na categoria outros, 39% estão no Sudeste, 20% no Norte, 19% no Nordeste, 14% no Sul, 8% no Centro-Oeste.

A análise das Unidades da Federação (UF) tende a seguir o padrão já citado para as grandes regiões.

Entre as UF com maior proporção de pretos e pardos (Gráfico 20) estão, por exemplo, o estado da Bahia, que sozinho detém 12% dos donos de negócios pretos e pardos. Embora os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro também tenham proporções elevadas de indivíduos desta raça/cor, a soma das participações do Ceará, Maranhão, Pernambuco e Piauí (ao lado da Bahia) contribuem bastante para a elevada participação do Nordeste nesta categoria de raça/cor.

Entre as UF com maior proporção de brancos (Gráfico 21) estão São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Esses seis estados detêm 69% dos donos de negócios desta raça/cor.

Na categoria outros (Gráfico 22), em que predominam amarelos, apenas três estados detêm 54% de todos os donos de negócios desta categoria. São eles: São Paulo, Amazonas e Paraná.

Gráfi co 19 – Distribuição por regiões do País (2011)

6 BRASIL escola. Imigração no Brasil. http://www.brasilescola.com/brasil/imigracao-no-brasil.htm consulta em 31/07/2013.
7 “Dinâmica demográfi ca da população negra brasileira”. Comunicado do Ipea nº 91 – 12 de maio de 2011

Gráfi co 20 – Distribuição dos donos de negócios pretos e pardos por UF (2011)

Gráfi co 21 – Distribuição dos donos de negócios brancos por UF (2011)

Gráfi co 22 – Distribuição dos donos de negócios da categoria outros por UF (2011)

Tabela 7 – Distribuição de donos de negócios, por raça/cor, por Unidades da Federação, em número de pessoas e em percentual (2011)

[table tf=”last”]
UF,preta/parda,branca,outras,TOTAL,preta/parda,branca,outras,TOTAL
SP,1.270.736,2.927.613,76.134,4.274.483,11\,5%,25\,5%,29\,1%,18\,7%
MG,1.067.632,1.236.408,15.062,2.319.102,9\,6%,10\,8%,5\,7%,10\,2%
BA,1.383.644,421.183,16.333,1.821.160,12\,5%,3\,7%,6\,2%,8\,0%
RJ,823.859,950.740,6.996,1.781.595,7\,4%,8\,3%,2\,7%,7\,8%
RS,179.610,1.233.458,6.702,1.419.770,1\,6%,10\,7%,2\,6%,6\,2%
PR,349.316,961.334,28.578,1.339.228,3\,2%,8\,4%,10\,9%,5\,9%
PA,905.549,244.536,7.285,1.157.370,8\,2%,2\,1%,2\,8%,5\,1%
CE,707.791,357.159,6.601,1.071.551,6\,4%,3\,1%,2\,5%,4\,7%
MA,665.577,193.543,6.647,865.767,6\,0%,1\,7%,2\,5%,3\,8%
PE,525.819,313.448,7.635,846.902,4\,7%,2\,7%,2\,9%,3\,7%
SC,88.733,700.621,2.650,792.004,0\,8%,6\,1%,1\,0%,3\,5%
GO,410.839,348.043,2.912,761.794,3\,7%,3\,0%,1\,1%,3\,3%
PI,381.734,131.779,2.263,515.776,3\,4%,1\,1%,0\,9%,2\,3%
PB,270.481,189.014,3.108,462.603,2\,4%,1\,6%,1\,2%,2\,0%
AM,338.001,77.033,36.910,451.944,3\,0%,0\,7%,14\,1%,2\,0%
ES,214.203,219.239,4.040,437.482,1\,9%,1\,9%,1\,5%,1\,9%
MT,230.478,190.346,5.548,426.372,2\,1%,1\,7%,2\,1%,1\,9%
RN,203.718,156.986,1.798,362.502,1\,8%,1\,4%,0\,7%,1\,6%
MS,136.000,167.929,6.699,310.628,1\,2%,1\,5%,2\,6%,1\,4%
SE,199.358,81.987,1.444,282.789,1\,8%,0\,7%,0\,6%,1\,2%
AL,192.770,85.160,3.454,281.384,1\,7%,0\,7%,1\,3%,1\,2%
DF,128.348,110.541,4.605,243.494,1\,2%,1\,0%,1\,8%,1\,1%
RO,133.974,93.155,2.817,229.946,1\,2%,0\,8%,1\,1%,1\,0%
TO,113.492,49.819,1.701,165.012,1\,0%,0\,4%,0\,6%,0\,7%
AC,62.466,25.100,1.133,88.699,0\,6%,0\,2%,0\,4%,0\,4%
AP,60.331,14.557,693,75.581,0\,5%,0\,1%,0\,3%,0\,3%
RR,39.568,13.882,2.256,55.706,0\,4%,0\,1%,0\,9%,0\,2%
TOTAL,11.084.027,11.494.613,262.004,22.840.644,100\,0%,100\,0%,100\,0%,100\,0%
[/table]

3 – Considerações Finais

Na análise sobre a evolução dos donos de negócios por raça/cor, verifica-se que, no Brasil, entre 2001 e 2011, o número de indivíduos que se autodeclaram pretos e pardos cresceu 29% em termos acumulados (expansão superior à média dos donos de negócios, que foi de 13%). Com isso, a participação relativa dos pretos e pardos passou de 43% para 49% do total de donos de negócios. O número de indivíduos que se declararam brancos aumentou 1% (com queda da participação relativa deste grupo de 56% para 50% do total de donos de negócios) e a categoria outros (onde predominam amarelos), apresentou expansão de 42%, tendo a sua participação relativa permanecido em patamar próximo a 1% do total de donos de negócios.

Em parte, o crescimento da participação dos pretos e pardos se deve ao maior número de pessoas que passaram a se declarar como tal, em relação às pesquisas anteriores do IBGE. Nas três categorias analisadas, predominam os negócios com uma pessoa só (indivíduos Conta Própria). A proporção de Conta Própria no grupo dos pretos e pardos chega a 92% (contra 86% na média geral dos donos de negócios). A proporção de chefes de domicílio supera os 60% dos donos de negócios nas três categorias de raça/cor analisadas. A proporção de mulheres entre os donos de negócios pretos e pardos é de 29%, nível inferior à média dos donos de negócios no país (que é de 31%).

Comparativamente, os donos de negócios pretos e pardos respondem por 49% dos donos de negócios do País, têm proporcionalmente menos anos de estudo (6,2 anos), são mais jovens, (em média têm 42 anos), recebem um rendimento médio mensal que equivale à metade do recebidos pelos donos de negócios brancos, têm a maior proporção de pessoas que começou a trabalhar até 17 anos, trabalham menos horas por semana no negócio (39 horas/semana), têm menor acesso aos recursos de telefonia e informática, têm menor proporção de pessoas/coberturas por algum sistema de previdência, têm menor proporção de pessoas que trabalham em local fixo urbano, têm maior proporção de pessoas que trabalham na construção, tem a menor proporção dos que trabalham no setor de serviços e a maior concentração no Nordeste do País.

Os donos de negócios brancos respondem por 50% dos donos de negócios do país, têm proporcionalmente mais anos de estudo (8,5 anos, em média), são mais velhos (em média têm 45 anos), recebem um rendimento médio mensal que equivale ao dobro do recebido pelo grupo dos pretos e pardos, têm a menor proporção de pessoas que começaram a trabalhar até 17 anos, trabalham mais horas por semana no negócio (42 horas/semana), têm maior acesso aos recursos de telefonia e informática, têm maior proporção de pessoas cobertas por algum sistema de previdência, tem a maior proporção de pessoas que trabalham em local fixo urbano, têm a menor proporção dos que trabalham no setor agrícola e a maior concentração no Sudeste do país.

Os donos de negócios da categoria outros, que respondem por apenas 1% dos donos de negócios do país, predominantemente amarelos, têm a maior proporção de indivíduos com superior completo, a maior proporção de indivíduos com mais de 65 anos, que está há mais de 5 anos na atividade atual, têm a maior proporção dos que começaram a trabalhar mais tarde e as maiores proporções identificadas nos setores comércio e agrícola. Além disso, verifica-se forte concentração em termos regionais. Apenas três estados (São Paulo, Amazonas e Paraná) detêm mais da metade dos donos de negócios desta categoria.

Os perfis diferenciados identificados entre os donos de negócios de diferentes raças/cores deixa claro que o desenvolvimento de produtos e serviços para donos de negócios, no Brasil, pode e deve levar em conta esses diferenciais. A eficácia das estratégias voltadas para estes grupos específicos tende a ser mais bem-sucedidas quanto mais forem considerados os diferenciais citados.

Sebrae

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