Público diversificado acompanha abertura de seminário em Olinda

Um público diversificado e de várias regiões do estado acompanhou a abertura do seminário do projeto Brasil Afroempreendedor em Olinda (PE), em meio a casarões históricos e igrejas centenárias. Os setores da economia criativa, principalmente do artesanato, de atividades ligadas à música e à cultura em geral, da culinária afro e da beleza estão tendo a principal representação no seminário de Pernambuco. A cultura é uma forte marca do estado e a representação expressiva desse setor no seminário estadual do projeto é uma consequência disso. Quilombolas de várias regiões também participam da atividade, que vai até esta quarta (16), às 18h, em Olinda (PE), na Academia Santa Gertrudes, Alto da Sé Carmo.

O apoio e a participação de secretarias e órgãos de governo do estado e dos municípios de Olinda e Recife repetiu o acontecido nos outros seminários estaduais do projeto. No seminário de Pernambuco, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e a Coordenadoria de Combate ao Racismo, ambas de Olinda, tiveram papel destacado na realização do seminário, junto com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do estado (FETAPE), que viabilizou o transporte dos representantes das comunidades quilombolas, além da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEP) e da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (COMICRO). O fortalecimento cada vez maior do projeto passa pela configuração de apoios e parcerias em todos os níveis da administração pública e da iniciativa privada, dos movimentos sociais e das entidades de classe, além da participação efetiva dos empreendedores, o que mais uma vez aconteceu.

A composição da mesa de abertura mostrou essa diversidade e o compromisso dos pernambucanos com o projeto. Integraram a mesa Humberto Jesus, secretário de Direitos Humanos do estado, Vera Gomes, representando Comitê Gestor do projeto, Luiz Antonio de Almeida, diretor do Instituto Adolpho Bauer (IAB), entidade executora do projeto, Jurandir Liberal, representante da Câmara Municipal do Recife, Teca Carlo, da Fundação de Cultura do estado, Bernardete Lopes, gestora de comunidades tradicionais do estado, Samuel da Luz, gerente de Igualdade Racial do Recife, Roberto Moreira, da Unidade de Políticas Públicas do SEBRAE/PE, Marcelo Santa Cruz, vereador de Olinda, e Antonio Thobias, representando o SEBRAE Nacional. Também esteve presente na abertura a representação do gabinete do deputado estadual Manoel Santos (PT).

Após a abertura, foi lançado o livro “Desenvolvimento e Empreendedorismo Afro-brasileiro”, iniciativa do projeto, seguido de debate sobre cultura e empreendedorismo. Integraram a mesa de debate Maria Elisabeth Santiago, a Mãe Beth de Oxum, conselheira do segmento da Cultura Afro-brasileiro do Conselho Nacional de Cultura e uma das grandes empreendedoras da cultura de Pernambuco, o coordenador Institucional do projeto, Adilton de Paula, e o coordenador Executivo, João Carlos Nogueira. Em entrevista logo depois da abertura do seminário, Mãe Beth falou sobre o projeto: “O povo negro precisa dessas iniciativas. A história do país está muito ligada ao povo negro e a história da cultura também, só que os recursos não chegam. A cultura de Olinda são os casarios? Não, é a cultura viva de seu povo. Precisamos ter uma pegada econômica mais criativa, justa e solidária. Temos cadeias da cultura na área da religiosidade, dos brinquedos, com costureiras, bordadeiras. Isso tem de ser mensurado e estar inserido na estatística da economia”, afirma.

Mãe Beth faz algumas comparações: “Quanto o cinema brasileiro arrecada? E quanto vai para o cinema dos negros e negras? E o teatro? Pernambuco tem excelência em expressões artísticas. Quanto vai para a cultura popular no estado? Foram direcionados R$ 31 milhões em 2013 para o Carnaval e apenas R$ 800 mil para a cultura popular”, denuncia. A empreendedora tem um ponto de cultura uma rádio – o Coletivo Rádio Amnésia. Também é responsável pelo Núcleo de Formação de Agentes de Cultura da Juventude Negra (Nufac), que oferecerá cinco cursos de formação profissional na área da cultura para 120 jovens negros e negras da Região Metropolitana de Recife. É uma iniciativa em comunicação, jogos, webdesign, luteria (tambores de candomblé) e produção cultural. “Temos de botar eles para estudar e ir para o mercado, em vez de ficar aí, sendo assassinados. Falar de empreendedorismo é também falar disso.”

Programação

À tarde, prossegue o seminário, com a apresentação do projeto aos empreendedores e relatos de casos de sucesso. Também começará a oficina para a elaboração de planos de negócios, que será concluída amanhã. Na sexta pela manhã serão ouvidos relatos das experiências dos empreendedores. À tarde, o SEBRAE/PE apresentará a palestra Administração e controle financeiro do negócio, Gestão de tempo e Gestão de Recursos. Ao final do seminário, os empreendedores firmarão o Termo de Compromisso com o projeto.

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