PESQUISA NACIONAL SOBRE O PERFIL DOS AFROEMPREENDEDORES E AFROEMPREENDEDORAS DO BRASIL

Relatório final de pesquisa – PBAE

Igualdade racial, desenvolvimento, empreendedorismo e solidariedade: desafios para o Brasil Contemporâneo

São Paulo, 18 de fevereiro de 2016

Equipe de pesquisa

Universidade Federal de Santa Catarina
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política

Prof. Erni Seibel (PPGSP/UFSC)
Prof. Jacques Mick (PPGSP/UFSC)
Marcos Rogério dos Santos (Doutorando em Educação/UFSC)
Noa Cykman (Mestranda em Sociologia Política/UFSC)

Objetivos do trabalho (projeto original do PBAE)

  • Monitorar os empreendimentos de micro e pequenas empresas e empreendedores individuais afro-brasileiros participantes do PBAE.
  • A partir da realização dos seminários estaduais, conhecer o perfil do público participante, de forma a estabelecer diagnóstico sobre sua situação antes e após a implementação das ações do projeto.
  • A partir dos estudos, estruturar propostas de políticas públicas para empreendedores negros e negras.
  • Avaliação do impacto do projeto. (Está fora do foco da pesquisa a avaliação institucional).

Objetivos dessa apresentação

  1. Descrever métodos e instrumentos mobilizados na pesquisa.
  2. Apresentar os principais resultados:
    1. Perfil do PBAE X afroempreendedores brasileiros
    2. Perfil dos empreendimentos do PBAE
    3. Efeitos do racismo no mundo dos negócios
    4. Planos de negócios, cadeias produtivas e Reafro
    5. Propostas de políticas de apoio ao afroempreendedorismo.

1. Instrumentos e contexto

  1. Coleta de dados de perfil dos 1200 participantes do projeto por meio do sistema de gestão
  2. Pesquisa quali-quantitativa por meio de online survey e questionário presencial aplicado por consultores – 396 respondentes
  3. Entrevistas em profundidade com 45 participantes do projeto
  4. Entrevistas em profundidade com 7 consultores do projeto
  5. Análise e geração de dados a partir de planos de negócio
  6. Questionário de avaliação do PBAE respondido por 154 participantes do seminário nacional

Contexto:

  • Ascensão social de 40 milhões de brasileiros (32 milhões de negros)
  • Políticas de promoção da igualdade em vários setores (saúde, educação, trabalho): maior autodeclaração de pretos e pardos . ampliação do acesso ao ensino superior, particularmente para a população negra; aumento nas médias de anos de estudo . políticas de estímulo à formalização de microempresas antes da economia informal (MEI) (91% dos negros são conta própria)
  • Cenário de crise econômica agravando-se a partir do início de 2013 (ameaçando conquistas do ciclo anterior de crescimento) – Selic sobe de 7,25% para 14,25% desde então
  • Revitalização do movimento negro

2.1 Perfil dos participantes do PBAE

Dados alimentados pelos empreendedores no sistema hospedado pelo IAB:

  • 1.277 participantes ativos (de 1.666 alcançados)
  • 748 mulheres (59%)
  • 529 homens (41%)

Distribuição por estado

[table]
estado,quantidade
AP,160
BA,223
GO,39
MA,132
MG,103
PB,58
PE,49
RJ,157
RS,139
SC,69
SP,148
[/table]

No Sul e no Sudeste vivem 38% dos empreendedores negros (IBGE); eles se concentram no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. No PBAE, 48% são do Sul-Sudeste.

Dados da pesquisa de perfil (396 respondentes, 31% do total de participantes ativos do projeto):

Distribuição equiparável à do total de participantes em termos de idade e sexo:

  • 57,9% de mulheres
  • 19,1% até 30 anos,
  • 34,7% entre 31 e 40 anos,
  • 24,1% entre 41 e 50 anos e
  • 22,1% acima de 51 anos

Maior representação do Sudeste na amostra (159, 40% de 396):

[table]
estado,quantidade
AP,56
BA,36
GO,22
MA,23
MG,48
PB,22
PE,19
RJ,27
RS,28
SC,31
SP,84
[/table]

Perfil dos afroempreendedores brasileiros (IBGE) X PBAE

[table]
,Brasil,PBAE
Gênero,71% homens\, 29% mulheres,42\,1% homens\, 57\,9% mulheres
Escolaridade,7% com ensino superior completo ou incompleto 54% com ensino fundamental incompleto ou sem instrução,44\,3% com curso superior completo ou incompleto\, 20\,2% de pós-graduados\, perfazendo 64\,5% com nível superior
Idade,28% até 34 anos\, 26% de 35 a 44 anos\, 24% de 45 a 54 anos\, 22% acima de 55 anos,19\,1% até 30 anos\, 34\,7% entre 31 e 40 anos\, 24\,1% entre 41 e 50 anos\, 22\,1% acima de 51 anos
Empregadores,91% conta própria\, 9% empregadores,98% conta própria\, 2% empregadores
Tempo no trabalho atual,22% até 2 anos\, 18% de 2 a 5 anos\, 60% mais de 5 anos,36\,3% até 2 anos\, 22\,7% de 3 a 5 anos\, 41% mais de 5 anos
Renda mensal média,R$ 1.246\,00,Concentrada na faixa entre um a três mínimos\, que reúne 47\,3% dos respondentes
[/table]

Ou seja, no PBAE:

  • Há duas vezes mais mulheres (59% PBAE X 29% Brasil)
  • Há nove vezes mais empreendedores com curso superior incompleto ou mais (64,5% PBAE X 7% Brasil)
  • Há quase duas vezes mais empresas com até 2 anos de existência (36,3% PBAE X 22% Brasil)
  • Há número muito menor de empregadores (9% Brasil X 2% PBAE)
  • A renda mensal média é mais alta
  • Apenas a distribuição etária é semelhante

Como veremos, boa parte dos novos negócios é de iniciativa de participantes recém-egressos das universidades.

A análise combinada de faixa etária, estado civil e número de filhos indica que os participantes do PBAE se dividem em três blocos:

  1. um predominantemente de jovens até 30 anos, com um quinto dos participantes (19,1% dos respondentes), a maior parcela sendo de solteiros (42,3% dos respondentes), sem filhos;
  2. um de pessoas entre 31 e 50 anos (58,8%), superior à metade dos participantes, em que se concentra a parcela de casados, com companheiro ou em união estável (46,3% dos respondentes) e aqueles com filhos (61,5% dos respondentes);
  3. um de mais de 51 anos (22,1%), equivalente ao quarto restante dos participantes, segmento em que se concentram os 11,4% de divorciados, separados ou viúvos e boa parcela dos participantes com filho.

As famílias têm principalmente um ou dois filhos (cada um dos grupos com 34,4% dos respondentes). Têm três filhos ou mais 31,2% dos respondentes. 62,6% moram em casa própria.

82,6% se autodeclaram pretas/os (16,1% pardas/os).

Quanto à renda familiar, a maior parte dos respondentes pertence à chamada Classe C:

  • Até 2 salários mínimos: 30,6%
  • De 2 a 3 mínimos: 26%
  • De 3 a 4 mínimos: 16,9%
  • De 4 a 5 mínimos: 8,3%
  • De 5 a 10 mínimos: 13,5%
  • Acima de 10 mínimos: 4,8%

55,3% participam de associação, organização ou partido (taxa mais elevada que a dos afroempreendedores). Movimentos sociais e organizações religiosas são expressivos (22,6% cada). Religiões: vetor de iniciativas locais.

96% utilizam redes sociais, sobretudo Facebook e Whatsapp

A renda do negócio é a única fonte de renda da família ou responde pela maior parte dela em 41,4% dos casos. Compõe de forma igualitária com outro(s) membro(s) a renda da família23,3%. É a menor parte de renda da família 35,3%.

Antes de começar o negócio, a maior parte dos respondentes trabalhava como empregado (43,6%), estudavam ou tinham outra atividade. Apenas 16,1% estavam desempregados.

Conclusões principais desta etapa:

  • Cuidados na generalização dos resultados: população do PBAE não é igual ao conjunto dos afroempreendedores brasileiros
  • PBAE alcançou público mais feminino, com maior formação escolar, metropolitano e em fase inicial de estruturação dos seus negócios
  • Contexto + política de captação de participantes se refletem no perfil dos empreendedores alcançados; sete dos 11 consultores de mobilização são mulheres
  • Uso elevado de redes sociais e participação em movimentos são vetores que potencializam engajamento e envolvimento dos empreendedores na ação da Reafro.

Questões

  • Para a próxima etapa, faz sentido continuar a priorizar esse perfil? Ou é relevante mudar as estratégias de captação de participantes para alcançar mais homens, de menor renda e escolaridade?
  • Que novas estratégias de ação via internet e via movimentos sociais podem ser adotadas para alvancar a Reafro?

2.2 Perfil dos empreendimentos do PBAE

Ramos mais frequentes:

  • No Brasil:
    • 26% estão no setor de serviços,
    • 24% estão no comércio,
    • 20% estão no setor agrícola,
    • 20% são da construção e
    • 10%, da indústria.
  • Na pesquisa:
    • Serviços 41,8%,
    • Comércio 30%,
    • Lúdico-cultural 12,6%,
    • Indústria e construção 5,3%,
    • Agricultura 1%,
    • Outro 9,2%
  • No PBAE:
    • Serviços;
    • Moda, confecção e design;
    • Comércio;
    • Artesanato;
    • Alimentação

Principais segmentos:

  1. Moda, confecção e design;
  2. Artesanato;
  3. Comércio varejista;
  4. Artes plásticas/Artes cênicas;
  5. Prestadores de serviços e consultoria;
  6. Beleza e estética;
  7. Alimentos e restaurantes.

Três grandes grupos de negócios:

  1. uma parte significativa está em fase inicial de estruturação, alguns deles com CNPJs recém emitidos;
  2. a parte mais ampla refere-se a negócios em consolidação;
  3. uma parte menor, de negócios já consolidados, ambiciona expandir-se e tornar-se referência em suas áreas de atuação.

Quanto às características do negócio:

  • Apenas 2% têm empregados: é sobretudo autoemprego (embora existam “colaboradores” de variadas espécies e todo tipo de terceirização)
  • A maior parte não é de empresas familiares, 57,2%, enquanto em 42,8% a família participa, principalmente cônjuge e filhos (ou seja: “emprego” é conceito que não dá conta do alcance econômico desses empreendimentos)
  • 58,7% foram criados a partir de 2011; 25,3% estão em implantação; 65,5% ficam junto da residência;
  • A maior parte não foi criada por necessidade (apenas 23,4% o foram), mas por oportunidade (39,5%) ou outras motivações (37%)

Entre as razões que explicam por que entrou nesse ramo, as mais relevantes são: realização de um sonho (31,5%), possibilidade de atendimento de uma demanda de mercado (18,9%), oportunidade de ganhar dinheiro (19,4%) ou já ter trabalhado no ramo como empregado (17,6%)

Diz-se que negros viram empreendedores mais por necessidade que por outra razão – enquanto os brancos seriam motivados mais por oportunidades. Os dados da pesquisa indicam que, no público do PBAE, isso não é verdadeiro. As entrevistas deixam claro que os empreendedores escolheram criar seus negócios, articulam seus projetos pessoais com eles, têm ambições – e os conduzem em condições muito adversas.

  • A maior parte dos negócios foi iniciada com recursos próprios do empreendedor (78,1%) ou com empréstimo de familiares ou amigos (7,8%); apenas 3,7% obtiveram financiamento bancário
  • 66% dos negócios não têm dívidas
  • 57,8% dos negócios não têm conta em banco
  • 69,3% dos negócios nunca obtiveram crédito
  • entre os que tiveram acesso a crédito, a maior parcela (19,9% do público/79,6% dos tomadores) afirmou que o recurso ajudou o empreendimento (muito ou pouco); para 7,7%/20,4%, o dinheiro não ajudou ou gerou endividamento

O faturamento mensal médio do negócios é baixo:

  • 38,5% faturam até R$ 1 mil
  • 33,5% de R$ 1 mil a R$ 5 mil
  • 11,6% de R$ 5 mil a R$ 10 mil
  • 12,6% acima de R$ 10 mil

A sazonalidade afeta o faturamento de 72,5% (não foi possível aferir as razões principais); 32,5% dos clientes são esporádicos ou sazonais;

90,6% não participam de redes; dos que participam, destaca-se a economia solidária

65,5% têm o negócio junto da residência e 24,9% consideram que o local do empreendimento não está adequado a suas necessidades.

Quanto ao perfil da clientela, as seguintes observações se destacam:

  • Como os empreendimentos são bastante diversificados, o público alcançado também é bem variado; nota-se a existência de um público novo, de negros e também de brancos, interessado na cultura afro-brasileira;
  • Boa parcela dos empreendimentos (um terço ao menos) comercializa bens e serviços para público predominantemente de classe média, com ensino médio, distribuído em diversas cores/raças – ou seja, a imensa classe C;
  • Parcela menor destina-se a público de classe alta;
  • As maiores dificuldades advêm do público de menor renda, principal cliente para um terço dos negócios: inadimplência e baixo poder aquisitivo

Número expressivo dos negócios teve acesso a oportunidade de treinamento (54,7%). O principal agente de capacitação é o Sebrae, mencionado por 32,7% dos respondentes. Em seguida, com menor volume de menções, vêm universidades, ONGs e outras fontes

  • Os que não receberam treinamento justificaram a situação argumentando que as opções disponíveis tinham custos elevados (17,6%), não tinham tempo (12,6%) ou informação (14,1%), entre muitas outras razões (47,9%).
  • A área mais frequente de formação foi o planejamento (46,1%), bem acima das demais opções. Em seguida, vêm atendimento ao cliente, marketing e finanças.

2.3 O racismo e o mundo dos negócios

53,9% dos respondentes afirmaram ter sofrido preconceito como empreendedores.

Os agentes do preconceito se dispersam em várias categorias, mas parcela significativa dos respondentes aponta clientes, fornecedores e agentes do Estado como autores das agressões.

[table]
Agente,% sobre menções,% das vítimas
Cliente,19\,7,44\,4
Fornecedor,19\,5,43\,9
Outro tipo de pessoa,18\,9,42\,5
Concorrente,12\,4,28
Funcionário de banco,12,27\,1
[/table]

Cruzamentos apontam as seguintes correlações:

  • Concentração de casos na faixa etária de 31 a 64; . a escolaridade está relacionada à percepção do racismo: quanto maior, mais clara a percepção
  • O envolvimento com movimentos sociais também tem correlação positiva com a percepção do preconceito . os casos de racismo notados por “pardos” têm taxas muito inferiores à apontadas por “pretos”
  • Quanto maior a renda, menor a incidência de racismo: a desigualdade de classe se dobra sobre a raça; embora menores, as taxas de preconceito conta os de renda alta são elevadas (quase metade)
  • Quanto mais frágil o empreendimento, maior a frequência de racismo.

É baixa a miscigenação no ambiente de negócios no Brasil: 62,3% dos afroempreendedores respondentes não têm sócios; têm sócios brancos apenas 5,3% dos respondentes (34,8% têm sócios negros)

Principais conclusões:

  • O racismo perturba o ambiente de negócios no Brasil. Enfrentá-lo é a condição básica para a promoção de igualdade de oportunidades entre os empreendedores (brancos e negros) no país
  • A competitividade dos afroempreendedores é estruturalmente afetada por dois fatores combinados: as manifestações cotidianas de racismo e a longa história de exclusão dos negros em relação a oportunidades de trabalho e formação escolar. Tais fatores conformaram um habitus de ambições limitadas pelo modo como percebem suas próprias potencialidades, mesmo entre pessoas com ensino superior. A transformação desse habitus demandará ações combinadas, por longo tempo, em vários níveis.
  • As mulheres são triplamente afetadas pelo contexto – como mulheres, como negras e como pobres. Entre homens, a presença percentual de renda acima de cinco mínimos é igual ou maior que a das mulheres. Entre as mulheres, é o oposto que ocorre: elas predominam nas faixas até três mínimos.
  • Políticas de transferência de renda e de acesso ao ensino superior aumentaram a presença de negros nos setores médios da sociedade. Empoderamento, fortalecimento de múltiplas identidades negras, surgimento de mercado para produtos de corte étnico, criatividade de empreendedores negros na concepção de produtos e serviços. Aumenta a percepção do racismo – que não deixa de existir espontaneamente.
  • Desigualmente inseridos numa economia fortemente excludente (em especial, por vetores de raça, classe e gênero, todos eles com incidência expressiva sobre a população negra), os afroempreendedores terão suas atividades e iniciativas fortalecidas se operarem em redes solidárias, alimentadas pela disposição de constituir vivências alternativas nas três frentes em que o capitalismo produz seus efeitos mais perversos: o individualismo, o consumismo e a deterioração ambiental.
  • Ou seja: a unidade para a cooperação produtiva e a unidade no combate ao racismo são duas ações inseparáveis.
  • Valorização do orgulho afro (e da cultura afro-brasileira) é eixo comum a ambas as lutas. Abdias e a negritude.

2.4 Planos de negócio, cadeias produtivas, Reafro

  • Dados quantitativos sobre planos de negócio ainda indisponíveis. Embora o perfil dos empreendedores que realizaram planos de negócio não seja idêntico ao do conjunto dos participantes do projeto, os dados dos PNs podem ser lidos como um parâmetro ou uma referência para a situação dos demais.
  • Entre 420 planos, apenas 218 chegaram ao detalhamento financeiro, indicando por exemplo valores de faturamento ou necessidades de financiamento. O plano com maior valor de financiamento demanda R$ 566 mil de investimento.
  • Estudo qualitativo de 31 negócios com identidade afro, 11 em implantação e 20 em expansão.
  • Três canais principais de realização dos negócios: a casa, a rua, a internet.
  • Relatório aponta sinergias em quatro cadeias produtivas: alimentação, arte e cultura, confecção, estética e beleza negra.
  • Expectativas elevadas em relação à Reafro:
    • Capacitação
    • Geração de oportunidades de negócio
    • Apoio à estruturação dos negócios (assistência)
    • Linhas de crédito
    • Divulgação
  • Reafro é a instituição privada de maior importância para os negócios dos participantes do PBAE: 62,9% a colocam em primeiro lugar, seguida de entidades de classe empresariais (56,5%) e movimentos sociais (52,2%)
  • Expectativa elevada, trabalho duro pela frente.

2.5 Propostas de políticas de apoio ao afroempreendedorismo

Premissas
  • Foco principal de gestão e de fomento no âmbito da esfera pública/não governamental que são as redes sociais. As políticas públicas governamentais, apesar da importância no fomento do afroempreendedorismo, têm um papel paralelo, porém não de protagonista;
  • As referências aos movimentos sociais, às redes sociais, à dimensão histórica do movimento negro brasileiro e, particularmente, à constelação de redes de afroempreendedores devem ser variáveis de primeira ordem no fomento, na gestão e na avaliação do movimento;

O movimento deve tomar a iniciativa em relação ao Estado, traçando estratégias para as relações com ele (nos diversos âmbitos federativos).

Ações do setor público
  1. Articulação com os órgãos afins para a oferta de linhas de crédito especificamente para afroempreendedores;
  2. Estado-consumidor: propor editais específicos para afroempreendedores enquanto fornecedores de produtos para o setor público;
  3. Condicionar a contratação de fornecedores afroempreendedores (ou valorizar, no processo de contratação), assim como na oferta de serviços do Estado, aqueles que adotem práticas social e ecologicamente sustentáveis;
  4. Integrar os afroempreendedores nas iniciativas do Estado para o fomento à Economia Criativa;
  5. Desenvolver, em conjunto com outras políticas de promoção da igualdade racial, ações de combate à discriminação no mundo dos negócios
  6. Ampliar a oferta de capacitação e consultoria aos afroempreendedores, desenvolvendo técnicas e metodologias adequadas às características de cada segmento;
  7. Estimular a contratação, por grandes empresas privadas, de insumos, serviços e matérias-primas produzidos por afroempreendedores;
  8. Direcionar as políticas de combate à desigualdade entre os gêneros para produzirem efeitos especialmente sobre os afroempreendimentos;
  9. Contemplar o afroempreendedorismo nas iniciativas de desenvolvimento regional focadas em cadeias produtivas, valorizando em especial as atividades lideradas por empresários negros (em Arranjos Produtivos Locais – APLs, por exemplo);
  10. No âmbito dos legislativos estaduais e municipais, discutir e aprovar Planos de Apoio ao Afroempreendedorismo, a exemplo do instrumento sancionado em 2015 pela Prefeitura Municipal de São Paulo;
  11. No âmbito do legislativo federal, estimular a aprovação de um Fundo Nacional de Apoio ao Afroempreendedorismo, destinado a formação e capacitação, acompanhamento técnico, integração em rede e crédito para os empreendimentos.
Ações da Reafro
  1. Desenvolver, tornar disponível e analisar periodicamente o cadastro completo de afroempreendedores no Brasil;
  2. Produzir agendas periódicas sobre os principais eventos de interesse direto ou indireto aos afroempreendedores;
  3. Desenvolver instrumentos para acompanhamento, monitoramento, pesquisa e análise sobre o afroempreendedorismo (Observatório da Reafro);
  4. Desenvolver um sistema de informações e consultas para o fomento do empreendedor sobre oportunidades de mercado (feiras de negócios); formação e aprimoramento profissional e setorial;
  5. Desenvolver ações de articulação de redes locais, regionais, nacional e internacionais;
  6. Desenvolver um programa de formação específicos às necessidades de afroempreendedores;
  7. Articular com empresas ações afirmativas voltadas ao fomento de afroempreendedores, particularmente quanto a capacitação;
  8. Desenvolver articulação com instituições acadêmicas para o desenvolvimento de pesquisas sobre afroempreendedores;
  9. Produzir surveys periódicos sobre as atividades afroempreendedoras (paineis);
  10. Estimular, na rede, formas de associação de empreendedores por setor de atividades ou cadeias produtivas (microrredes – câmaras – cooperativas virtuais) com encontros regulares;
  11. Estimular a integração dos afroempreendimentos a iniciativas de economia criativa;
  12. Articular-se com outras redes de cooperação, como aquelas da economia solidária, por exemplo;
  13. Experimentar moeda social e outros instrumentos de economia solidária para estimular as trocas entre os afroempreendedores;
  14. Estimular que a mídia e outros produtores simbólicos contemplem narrativas e imagens de afroempreendedores entre suas fontes e seus conteúdos;
  15. Combater sistematicamente, como princípio, a discriminação de mulheres entre os afroempreendimentos; estimular a organização de coletivos de mulheres afroempreendedoras, para articulá-las, discutir e propor ações de combate à discriminação de gênero no segmento;
  16. Estimular a adoção de práticas social e ecologicamente sustentáveis pelos afroempreendedores;
  17. Valorizar a identidade étnica tanto dos afroempreendedores, quanto de seus produtos.

Muito obrigado
jacques.mick@ufsc.br

 

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