Saiu a Revista Brasil Afroempreendedor!

Saiu a Revista Brasil Afroempreendedor!

Desenvolvimento e igualdade racial: o caminho do futuro

Esta revista sintetiza os resultados mais importantes do Projeto Brasil Afroempreendedor (PBAE), que entre 2013 e 2016 ajudou a fortalecer mais de 1600 negócios liderados por negros no Brasil. Tão importante quanto esse apoio foi o trabalho de conhecer melhor as particularidades dos empreendimentos, que refletem tanto as marcas da presença histórica dos afrodescendentes no país quanto as transformações recentes na sociedade brasileira, assegurando oportunidades para a ascensão social e o empoderamento de negras e negros.

A distribuição dos afroempreendedores no território nacional corresponde à sua concentração no conjunto da população: eles são mais numerosos em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Maranhão, por exemplo. Assim, onde se encontram empresários negros, há geralmente produtos ou serviços cuja história remonta à contribuição civilizadora de africanos e seus descendentes: moda, culinária, artesanato, produção cultural, às vezes em empreendimentos com décadas de existência.

Além desses, há também negócios recentes, respostas a demandas derivadas dos processos de mobilidade social que afastaram da pobreza 32 milhões de negros na década passada e permitiram o surgimento, pela primeira vez no país, de uma numerosa classe média negra. Há hoje em todo o país, por exemplo, salões de beleza especializados que fortalecem uma estética afro, linhas de produção de cosméticos que valorizam os tons de pele e as texturas dos cabelos de negras e negros.

Empreendedorismo como estratégia de desenvolvimento e inclusão social

Do mesmo modo, a presença de negócios iniciados por jovens negros no campo das novas tecnologias.

Por fim, o acesso ao ensino superior incluiu negros e negras entre profissionais liberais e prestadores de serviços das áreas mais avançadas do capitalismo financeiro, como variadas modalidades de consultoria.

Empreendimentos como esses indicam que a população negra está experimentando um processo de fortalecimento de sua identidade étnica, com efeitos econômicos e políticos ainda por descobrir. Gradualmente, o afroempreendedor ganha visibilidade. Como a ação dessas lideranças no mundo dos negócios enfrenta cotidianamente o racismo e o preconceito, esses negócios demandam políticas de apoio específicas. A competitividade não é nada igualitária no Brasil. A pesquisa nacional sobre o perfil do afroempreendedor realizada pelo PBAE confirma o já denunciado racismo estrutural e institucional nas relações de mercados e negócios.

O Projeto Brasil Afroempreendedor, que levou a todas essas descobertas, é um triunfo da cooperação entre organizações da sociedade civil articulada pelo Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros (CEABRA) e o Instituto Adolpho Bauer em convênio com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). A iniciativa permitiu que o Brasil conhecesse um pouco melhor as características, as contribuições e as necessidades dos afroempreendedores. O projeto piloto alcançou pleno êxito, cumpriu plenamente as suas metas, mas, sobretudo, deixa um legado: a organização e estruturação da Rede Brasil Afroempreendedor (Reafro), que dará o suporte para a continuidade e federalização da política.

Boa leitura.

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