SC é destaque nacional em pesquisa sobre empreendedorismo

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Em um cenário nacional de recorde na criação de empresas, Santa Catarina se posiciona como o terceiro estado do país com o maior crescimento no número de negócios.
No primeiro semestre deste ano, foram abertas quase 40 mil empresas, no Estado, 21% a mais que no primeiro semestre de 2011. E os grandes responsáveis por este desempenho foram os microempreendedores individuais.
Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que fez o censo do empreendedorismo brasileiro no período, comparando-o com os resultados de 2011 e 2010.
Do total de novos negócios em Santa Catarina, no primeiro semestre, 24.119 foram de microempreendedores individuais (MEI). O número representa 61% dos empreendimentos criados neste ano.
O MEI é o profissional que trabalha por conta própria e que se regulamenta como pequeno empresário, emitindo nota fiscal e podendo contratar até um funcionário. O faturamento máximo do negócio deve ser de R$ 60 mil por ano.
O gerente de mercado do Sebrae-SC, Spyros Diamantaras, explica por que os microempreendedores individuais se destacaram no estudo.
A economia de Santa Catarina, ele argumenta, tem como algumas de suas atividades mais importantes os serviços, ligados ao turismo, principalmente, e ao comércio.
E justamente as duas são campo para a informalidade. Mas, a partir da aprovação da lei complementar, em 2008, que criou uma série de facilidades para os microempreendedores, muitos informais começaram a considerar os o custo-benefício da regularização.
— Ao se formalizar, o empresário passa a ter acesso a auxílios sociais. Mais do que isso, consegue abrir uma conta bancária em nome do
negócio, fazer empréstimos e emitir notas fiscais. E o custo mensal em impostos é de somente R$ 35 — argumentou.
Spyrus ilustrou a relação entre crescimento do negócio e formalização citando um dado registrado pelo Sebrae-SC: cerca de 70% dos MEIS
do Estado pretendem subir o seu faturamento para R$ 70 mil ao ano, em 2012.
Mas enquanto os microempreendedores individuais ganharam força e puxaram o aumento de novos negócios em SC, o restante de empresas sofreu uma retração, em 2012. O número de novos negócios, sem considerar os MEIs, caiu de 17.114, no primeiro semestre de 2011, para 15.391, no primeiro semestre deste ano no Estado.
Mas a realidade não é apenas estadual. O avanço dos microempreendedores e o recuo das empresas maiores foram identificados em todo o país. Para o presidente do conselho superior e coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o resultado de um milhão de negócios criados no primeiro semestre de 2012 representa um cenário de “copo meio cheio e meio vazio” para a economia brasileira.
— Se considerarmos todos os empreendimentos criados no período, inclusive MEIs, houve um crescimento de 34% dos novos negócios, o que demonstra uma maior formalização dos empreendedores individuais, principalmente para obtenção dos direitos previdenciários, sem contudo representar maior geração de empregos. Mas ao considerar somente os empreendimentos de outras naturezas, houve uma retração de 19% nos novos negócios em todo o país — afirma o especialista.

Padaria recheada com novidades

O empreendedor Thiago Ribeiro, de 19 anos, e outros três especialistas estudaram juntos “Panificação e Confeitaria” no Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC) e se tornaram os primeiros alunos do curso a abrirem um negócio próprio.
Thiago, além de ter se apaixonado pelo ofício nas aulas do IF-SC, percebeu a demanda por padarias de qualidade no Centro de Florianópolis, e a grande aceitação do ramo entre os moradores da Ilha. O ex-aluno, então, transformou a mercearia do pai na “Dona Fulana Pães e Doces”, uma padaria preocupada em oferecer produtos
diferentes do esperado para os seus clientes, como pães de paçoca com doce de leite, beterraba com cenoura, açaí com granola, e outras invenções, além de doces confeccionados na própria padaria, ao invés de terceirizados.

Empresa dentro do salão de beleza

Claudia Santos Teixeira, de 41 anos, trabalha há 15 anos como manicure, mas há apenas um mês como microempreendedora individual. A formalização, além de lhe render auxílios sociais, acesso a empréstimos e à assessoria de um contador, faz toda a diferença nos seus rendimentos dentro do salão em que trabalha, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis.
Antes, quando tinha somente o alvará da prefeitura para trabalhar, ficava com 70% do pagamento de cada serviço, mas tinha que utilizar material próprio. Hoje, ganha 65% do valor total do serviço, mas o material é cedido pelo salão.
Segundo ela, a parceria anterior, aparentemente mais lucrativa do que a atual, lhe custava muito mais. Na prática, a divisão com a empresa dava “50-50”, como reforça ela.
— Hoje, as clientes exigem unhas decoradas e esmaltes importados. O material está muito caro. Está valendo muito mais a pena trabalhar como formalizada — afirmou.

 

 

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