PESQUISA NACIONAL SOBRE O PERFIL DOS AFROEMPREENDEDORES E AFROEMPREENDEDORAS DO BRASIL

Instrumentos de pesquisa, monitoramento e avaliação

Instituto Adolpho Bauer

Prof. Erni Seibel
Prof. Jacques Mick

Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política
Universidade Federal de Santa Catarina

São Paulo, 14 de dezembro de 2015

Objetivos do trabalho

  • Monitorar os empreendimentos de micro e pequenas empresas e empreendedores individuais afro-brasileiros
    participantes do projeto.
  • A partir da realização dos seminários estaduais, conhecer o perfil do público participante, de forma a estabelecer diagnóstico sobre sua situação antes e após a implementação das ações do projeto.
  • A partir dos estudos, estruturar propostas de políticas públicas para empreendedores negros e negras.
  • Avaliação do impacto do projeto. (Está fora do foco da pesquisa a avaliação institucional)

Equipe

Prof. Erni Seibel (PPGSP/UFSC)
Prof. Jacques Mick (PPGSP/UFSC)
Marcos Rogério dos Santos (Doutorando em Educação/UFSC)
Noa Cykman (Mestranda em Sociologia Política/UFSC)

Objetivos desta apresentação

  • Descrever métodos e instrumentos mobilizados na pesquisa.
  • Apresentar os principais resultados.
  • Apresentar os eixos gerais das propostas de políticas de apoio ao afroempreendedorismo.

Instrumentos

  1. Coleta de dados de perfil dos 1200 participantes do projeto por meio do sistema de gestão
  2. Pesquisa quali-quantitativa por meio de online survey e questionário presencial aplicado por consultores – 377
    respondentes
  3. Entrevistas em profundidade com 45 participantes do projeto
  4. Entrevistas em profundidade com 7 consultores do projeto
  5. Análise e geração de dados a partir de planos de negócio
  6. Questionário de avaliação do PBAE pelos participantes do seminário nacional

1. Perfil dos participantes do PBAE

  • Dados alimentados pelos empreendedores no sistema hospedado pelo IAB:
    • 1.277 participantes ativos (de 1.593 alcançados)
    • 748 mulheres (59%)
    • 529 homens (41%)
    • Distribuição por estado:
      [table]
      estado,quantidade
      AP,160
      MA,132
      PE,49
      SC,69
      BA,223
      MG,103
      RJ,157
      SP,148
      GO,39
      PB,58
      RS,139
      [/table]
    • Apenas 2% têm empregados
    • Ramos mais frequentes: Serviços; Moda, confecção e design; Comércio; Artesanato; Alimentação
  • Perfil dos afroempreendedores brasileiros (IBGE) X PBAE
  • No PBAE:
    • há duas vezes mais mulheres (59% PBAE X 29% Brasil)
    • há quase nove vezes mais empreendedores com curso superior incompleto ou mais (61,9% PBAE X 7% Brasil)
    • há duas vezes mais empresas com até 2 anos de existência (45% PBAE X 22% Brasil)
    • menor número de empregadores (9% Brasil X 2% PBAE)
    • distribuição etária semelhante
  • Cuidados na generalização dos resultados: população do PBAE não é igual ao conjunto dos afroempreendedores brasileiros.

2. Pesquisa de perfil

  • Coleta de dados por meio de questionário impresso e de sistema hospedado pelo IAB:
  • O questionário foi concebido em 2013-2014 pela equipe de pesquisa e atualizado em junho de 2015
  • Dados colhidos até 4 de dezembro de 2015:
    • 377 respostas válidas (29,5% do total de participantes)
    • distribuição equiparável à do total de participantes em termos de idade e sexo
    • 58,6% de mulheres
    • 18,9% até 30 anos, 35% entre 31 e 40 anos, 24,9% entre 41 e 50 anos e 21,2% acima de 51 anos
    • Maior representação do Sudeste na amostra: AP 41, BA 39, GO 17, MA 24, MG 46, PB 20, PE 21, RJ 30, RS 34, SC 18, SP 86 (Sudeste: 172 de 377)
  • Quanto a outros aspectos sociodemográficos:
    • 86,5% se autodeclaram pretas/os (13,5% pardas/os)
    • 59,7% têm filhos
    • 45,4% são casados (inclui união estável e com companheiro/a) e 44,6% são solteiros
    • 62,6% moram em casa própria
    • Quanto à renda familiar, a maior parte dos respondentes pertence à chamada Classe C. A distribuição é a seguinte:
      • Até 2 salários mínimos: 30,2%
      • De 2 a 3 mínimos: 25,5%
      • De 3 a 4 mínimos: 17,8%
      • De R$ 4 a 5 mínimos: 8,2%
      • De 5 a 10 mínimos: 13,5%
      • Acima de 10 mínimos: 4,8%
  • 5,2% têm ensino fundamental completo ou incompleto;
  • 25,9% têm secundário ou técnico completo ou não; 61,9% têm superior completo ou não ou pós-graduação (19,5%);
  • 54,9% participam de associação, organização ou partido
  • 95,8% utilizam redes sociais
  • A renda do negócio é a única fonte de renda da família ou responde pela maior parte dela em 40,85 dos casos. Compõe de forma igualitária com outro(s) membro(s) a renda da família23,1%. É a menor parte de renda da família 35,3%.
  • Antes de começar o negócio, a maior parte dos respondentes trabalhava como empregado (43%) ou estava desempregado (16,4%)
  • Quanto às características do negócio:
    • a maior parte não é de empresas familiares, 57,6%, enquanto em 41,4% a família participa
    • a maior parte não foi criada por necessidade (apenas 22,8% o foram), mas por oportunidade (37,9%) ou outras motivações (39%)
    • entre as razões que explicam por que entrou nesse ramo, as mais relevantes são: realização de um sonho (33,7%), possibilidade de atendimento de uma demanda de mercado (20,2%), oportunidade de ganhar dinheiro (17,2%) ou já trabalhava no ramo como empregado (16,7%)
    • a maior parte dos negócios foi iniciada com recursos próprios do empreendedor (78,2%) ou com empréstimo de familiares ou amigos (7,2%); apenas 3,7% obtiveram financiamento bancário.
  • Ramos mais significativos: Serviços 42,4%, Comércio 29,7%, Lúdico-cultural 13%, Indústria 2,9%, Construção 1,6%
  • O faturamento mensal médio do negócios é baixo: 38,5% faturam até R$ 1 mil, 34,2% de R$ 1 mil a R$ 5 mil, 11,1% de R$ 5 mil a R$ 10 mil e 12,5% acima de R$ 10 mil
  • a sazonalidade afeta o faturamento de 73,5%
  • 89,1% não participam de redes de produção, comercialização, consumo ou crédito
  • 65,3% têm o negócio junto da residência e 24,9% consideram que o local do empreendimento não está
    adequado a suas necessidades
  • número expressivo dos negócios teve acesso a oportunidade de treinamento. O principal agente de capacitação é o Sebrae, mencionado por 35% dos respondentes. Em seguida, com menor volume de menções, vêm universidades, ONGs e outras fontes
  • 66,6% dos negócios não têm dívidas
  • 57,8% dos negócios não têm conta em banco
  • 69,8% dos negócios nunca obtiveram crédito
  • entre os que tiveram acesso a crédito, a maior parcela (19,9%) afirmou que o recurso ajudou o empreendimento (muito ou pouco); para 7,7%, o dinheiro não ajudou ou gerou endividamento
  • É baixa a miscigenação no ambiente de negócios no Brasil: 62,3% dos afroempreendedores respondentes não têm sócios; têm sócios brancos apenas 5,3% dos respondentes (34,8% têm sócios negros)
  • 54,1% dos respondentes afirmaram ter sofrido preconceito como empreendedor. Os agentes do preconceito se dispersam em várias categorias, mas parcela significativa dos respondentes aponta clientes, fornecedores e agentes do Estado como autores das agressões.

Principais conclusões:

  1. O racismo perturba o ambiente de negócios no Brasil. Enfrentá-lo é a condição básica para a promoção de igualdade de oportunidades entre os empreendedores (brancos e negros) no país;
  2. A competitividade dos afroempreendedores é estruturalmente afetada por dois fatores combinados: as manifestações cotidianas de racismo e a longa história de exclusão dos negros em relação a oportunidades de trabalho e formação escolar. Tais fatores conformaram um habitus próprio, de ambições limitadas pelo modo como percebem suas próprias possibilidades ou potencialidades, mesmo entre pessoas com ensino superior. A transformação desse habitus demandará ações combinadas, por longo tempo, em vários níveis, nos setores público e privado;
  3. As mulheres são triplamente afetadas pelo contexto – como mulheres, como negras e como pobres. Entre homens, a presença percentual de renda acima de cinco mínimos cresce continuamente até a faixa acima de dez mínimos. Entre as mulheres, é o oposto que ocorre: elas predominam nas faixas até três mínimos.
  4. Políticas de transferência de renda e de acesso ao ensino superior aumentaram a presença de negros nos setores médios da sociedade. Empoderamento, fortalecimento de múltiplas identidades negras, surgimento de  mercado para produtos de corte étnico, criatividade de empreendedores negros na concepção de produtos e serviços;
  5. Desigualmente inseridos numa economia fortemente excludente (em especial, por vetores de raça, classe e gênero, todos eles com incidência expressiva sobre a população negra), os afroempreendedores terão suas atividades e iniciativas fortalecidas se operarem em redes solidárias, alimentadas pela disposição de constituir vivências alternativas nas três frentes em que o capitalismo produz seus efeitos mais perversos: o individualismo, o consumismo e a deterioração ambiental;
  6. Na próxima etapa do PBAE e na ação da Rede, serão necessárias estratégias específicas para incluir afroempreendedores homens, com menor escolaridade e mais pobres.

3. Entrevistas em profundidade com participantes

Coleta de dados qualitativos junto a participantes do projeto, em agosto de 2015, com a seguinte distribuição por estado:

  • Pernambuco: 4 participantes
  • Bahia: 5 participantes
  • Goiás: 5 participantes
  • São Paulo: 9 participantes
  • Rio de Janeiro: 8 participantes
  • Rio Grande do Sul: 3 participantes
  • Amapá: 5 participantes

Apoio dos consultores estaduais para o agendamento e a logística para realização das entrevistas. Buscaram-se empreendedores típicos de cada estado.

4. Entrevistas em profundidade com consultores do projeto

Coleta de dados qualitativos junto a 7 consultores do projeto, com a seguinte distribuição:

  • 1 consultor vinculados ao projeto na primeira fase;
  • 3 consultores que participaram das duas fases do projeto; e
  • 3 que participaram apenas da segunda fase do projeto

5. Análise e geração de dados a partir de planos de negócio

  • Análise dos dados fornecidos pelos empreendedores participantes do projeto em 500 de seus planos de negócio;
  • A equipe de pesquisa analisa o formulário de plano de negócios e propôs variáveis específicas, a serem codificadas e extraídas pelo IAB e fornecidas à equipe de pesquisa;
  • Os dados quantitativos são complementados por observações qualitativas, baseadas na leitura de planos de negócio selecionados, e por anotações dos consultores de plano de negócio enviadas à coordenação do PBAE.

Atividades transversais

  • Revisão bibliográfica;
  • Mapeamento de políticas de apoio a empreendedores negros em outros países ou em organismos multilaterais (PNUD, Banco Mundial, BID, OCDE).

6. Avaliação do PBAE pelos participantes do seminário nacional

  • Caracterização do perfil dos participantes do seminário (X perfil geral dos participantes do PBAE);
  • Avaliação do impacto do projeto nos empreendimentos dos participantes;
  • Avaliação de instrumentos específicos do projeto (sistema de gestão, sistema de plano de negócios);
  • Prospecção de ações percebidas como necessárias pelos participantes por parte da Rede Brasil Afroempreendedor, de agentes públicos e privados, e das esferas governamentais nos diversos níveis;
  • Contribuição para aprimoramento das propostas de políticas de apoio ao afroempreendedorismo;

Responder e devolver questionário à mesa de recepção.

Propostas de políticas de apoio ao afroempreendedorismo (versão preliminar)

Premissas

  • Foco principal de gestão e de fomento no âmbito da esfera pública/não governamental que são as redes sociais. As políticas públicas governamentais, apesar da importância no fomento do afroempreendedorismo, têm um papel paralelo, porém não de protagonista;
  • As referências aos movimentos sociais, às redes sociais, à dimensão histórica do movimento negro brasileiro e, particularmente, à constelação de redes de afroempreendedores devem ser variáveis de primeira ordem no fomento, na gestão e na avaliação do movimento;

O movimento deve tomar a iniciativa em relação ao Estado, traçando estratégias para as relações com ele (nos diversos âmbitos federativos).

Ações do setor público

  1. Articulação com os órgãos afins para a oferta de linhas de crédito especificamente para afroempreendedores;
  2. Estado-consumidor: propor editais específicos para afroempreendedores enquanto fornecedores de produtos
    para o setor público;
  3. Condicionar a contratação de fornecedores afroempreendedores (ou valorizar, no processo de contratação), assim como na oferta de serviços do Estado, aqueles que adotem práticas social e ecologicamente sustentáveis;
  4. Integrar os afroempreendedores nas iniciativas do Estado para o fomento à Economia Criativa;
  5. Desenvolver, em conjunto com outras políticas de promoção da igualdade racial, ações de combate à discriminação no mundo dos negócios;
  6. Ampliar a oferta de capacitação e consultoria aos afroempreendedores, desenvolvendo técnicas e metodologias adequadas às características de cada segmento;
  7. Estimular a contratação, por grandes empresas privadas, de insumos, serviços e matérias-primas produzidos por afroempreendedores;
  8. Direcionar as políticas de combate à desigualdade entre os gêneros para produzirem efeitos especialmente sobre os afroempreendimentos;
  9. Contemplar o afroempreendedorismo nas iniciativas de desenvolvimento regional focadas em cadeias produtivas, valorizando em especial as atividades lideradas por empresários negros (em Arranjos Produtivos Locais – APLs, por exemplo);
  10. No âmbito dos legislativos estaduais e municipais, discutir e aprovar Planos de Apoio ao Afroempreendedorismo, a exemplo do instrumento sancionado em 2015 pela Prefeitura Municipal de São Paulo;
  11. No âmbito do legislativo federal, estimular a aprovação de um Fundo Nacional de Apoio ao Afroempreendedorismo, destinado a formação e capacitação, acompanhamento técnico, integração em rede e crédito para os empreendimentos.

Ações da Rede

  1. Desenvolver, tornar disponível e analisar periodicamente o cadastro completo de afroempreendedores no Brasil;
  2. Produzir agendas periódicas sobre os principais eventos de interesse direto ou indireto aos  afroempreendedores;
  3. Desenvolver instrumentos para acompanhamento, monitoramento, pesquisa e análise sobre o afroempreendedorismo (Observatório da REAFRO);
  4. Desenvolver um sistema de informações e consultas para o fomento do empreendedor sobre oportunidades de mercado (feiras de negócios); formação e aprimoramento profissional e setorial;
  5. Desenvolver ações de articulação de redes locais, regionais, nacional e internacionais;
  6. Desenvolver um programa de formação específicos às necessidades de afroempreendedores;
  7. Articular com empresas ações afirmativas voltadas ao fomento de afroempreendedores, particularmente quanto a capacitação;
  8. Desenvolver articulação com instituições acadêmicas para o desenvolvimento de pesquisas sobre afroempreendedores;
  9. Produzir surveys periódicos sobre as atividades afroempreendedoras (paineis);
  10. Estimular, na rede, formas de associação de empreendedores por setor de atividades ou cadeias produtivas (microrredes – câmaras – cooperativas virtuais) com encontros regulares;
  11. Estimular a integração dos afroempreendimentos a iniciativas de economia criativa;
  12. Articular-se com outras redes de cooperação, como aquelas da economia solidária, por exemplo;
  13. Experimentar moeda social e outros instrumentos de economia solidária para estimular as trocas entre os afroempreendedores;
  14. Estimular que a mídia e outros produtores simbólicos contemplem narrativas e imagens de afroempreendedores entre suas fontes e seus conteúdos;
  15. Combater sistematicamente, como princípio, a discriminação de mulheres entre os afroempreendimentos; estimular a organização de coletivos de mulheres afroempreendedoras, para articulá-las, discutir e propor ações de combate à discriminação de gênero no segmento;
  16. Estimular a adoção de práticas social e ecologicamente sustentáveis pelos afroempreendedores;
  17. Valorizar a identidade étnica tanto dos afroempreendedores, quanto de seus produtos.

Próximos passos

  • Elaboração de relatório final com
    • o perfil quali-quantitativo dos participantes respondentes da pesquisa;
    • a comparação desse perfil com o perfil dos empreendedores não-participantes do projeto;
    • o resultado das entrevistas com participantes;
    • a síntese dos planos de negócio concluídos por 500 participantes;
    • a avaliação qualitativa do projeto pelos consultores;
    • a avaliação institucional do projeto pelos participantes do seminário; e
    • a formulação de propostas de políticas públicas para o fomento ao afroempreendedorismo no Brasil.

Muito obrigado

erni.seibel@ufsc.br
jacques.mick@ufsc.br

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Um comentário, add yours.

Gessé Silveira Santos Júnior

Boa Noite Prezados!

Acelerador de Afroempreendedores;

“Somos educadores sociais com métodos holísticos enfatizando a nossa ancestralidade, sendo, portanto, facilitadores dando capacitação e formação trazendo empoderamento profissional e financeiro para a comunidade descentralizada afroindígena”.

Me chamo Gessé, tenho 36 anos, afrodescendente baiano, eleitor da cidade de São Paulo onde vivo a 30 anos da minha vida.
Desde Dezembro de 2017 estou tentando através de uma liberdade financeira “sobreviver”, pois no final do ano passado fui demitido da Importadora que trabalhei durante 3 anos e oito meses da minha vida, exercendo a função de Analista Financeiro mas com responsabilidade de toda a Gestão da empresa, assim desde então nesses últimos 6 meses tenho feito consultoria financeira gratuita para um Coletivo Cultural no qual fui iniciado no mundo do Afroempreendedorismo.
Decidi fazer parte do Coletivo Abebé com um propósito de causar o impacto social e auxiliar na transição do mesmo para uma startup pois existem 7 Afrodescendentes trabalhando nele com baixa rentabilidade e também exercendo funções não remuneradas, mas com retorno cultural para a nossa sociedade.
A proposta inicial é abrirmos o nosso próprio negócio valorizando a nossa cultura e ancestralidade utilizando desse recurso para investirmos e incentivarmos através da economia criativa a população afrodescendente.
Essa economia do Afroempreendedor vem crescendo mais de 30% ao ano desde 2015, participei de uma imersão na semana da Economia Criativa no mês de março desse ano, realizada com a parceria do Sebrae Nacional e British Council, naquela semana representamos São Paulo durante a rodada de negócios e fomos anfitriões dos empreendedores de diversas partes do Brasil.
Conforme foi o cronograma da semana de Economia Criativa no mesmo não consta e nem assistimos uma palestra voltada diretamente para o Afroempreendedor, não tivermos representatividade por um case-afro, portanto não foi apresentado um modelo de afro-negócios de sucesso durante a imersão, isso devido ao país ter iniciado uma expansão visionária desde 2015 referente aos negócios dentro dos projetos participativos no Projeto Brasil Afroempreendedor, mas até o presente momento não houve respaldo em termos de divulgação inclusive na página http://www.portaldodesenvolvimento.org.br/projeto-brasil-afroempreendedor-capacita-empreendedores/, o mesmo é um meio de comunicação e deveria surgir soluções, suporte e incentivo para os Afroempreendedores, penso que deveria ser um canal intermediário de fortalecimento dentro das vertentes do poder público para provimento dos mesmos. No dia 23/05/2018 obtive o protocolo encaminhado através da ouvidoria da Câmara Municipal de São Paulo, referente a conformidade dentro do Projeto de Lei Nº 505/2013 com promulgação: Lei 16.335 de 30/12/2015 no Art. 2º foi criada através do Poder Executivo a Comissão Especial, composta por representantes de entidades da sociedade civil, sendo assim uma obrigatoriedade de todos inclusive minha e venho informa-los que não tive apoio vinculado com qualquer organização pública, tenho uma imensa capacidade de empreender e desenvolvimento social evolutiva com grande extensão profissional, quero crescer com representatividade para o nosso povo Afroempreendedor, portanto formalizei o meu CNPJ em situação cadastral vigente ATIVO com nome Fantasia AFROINDÍGENA ANCESTRALIDADE E SUSTENTABILIDADE Capital Social: 0,00 CNPJ 30.833.540/0001-17, visto que não tenho investimento monetário inicial para gerar receita e fundo de caixa, peço gentilmente a inclusão dos meus atributos em prestação de serviços fornecendo ensino de arte e cultura em geral, através do SICAF, desejo implementar com representatividade social fomento cultural em ambos polos: “ancestral e sustentável”.
Desde a minha infância tenho como exemplo a minha mãe, tias e mulheres dentro da nossa comunidade afrodescendente empreendendo para “sobreviver”, durante toda a minha vida tive a percepção e sentimento de que sobreviver era um ideal e não “viver com qualidade”, essa ideologia é condicionada em nossa sociedade desde os primórdios coloniais propagando uma inversão total dos valores da vida. O Estudo Pesquisa Mulheres e Trabalho, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, revelou que em 2014, as mulheres negras ainda recebiam 40 % a menos que os homens brancos.
Com determinação não desanimei e nenhum desses obstáculos vai barrar a minha evolução, ainda que pela necessidade de provar a nossa capacidade a todo momento aqui no Brasil nós negros somos empreendedores nato devida a nossa própria existência.
Um estudo feito pelo Projeto Brasil Afroempreendedor apontou que 44,5% dos Afroempreendedores sofreram discriminação racial por partes dos clientes, em consequência dessa realidade cotidiana também temos o histórico de exclusão dos negros em oportunidades de trabalho e estudo, dentro desses elementos é fato que a metade negra dos pequenos e microempresários brasileiros não compete em condições de igualdade com a metade branca.
Verifiquei no site do SEBRAE dentro da Pesquisa GEM envolvendo os negócios promissores nos últimos 3 anos e não houve ascensão de um modelo de negócio Afroempreendedor, durante esse período foram liberados investimentos e aporte de Leis relacionadas a temática dos Afronegócios para capacitarmos em meio a sociedade brasileira os valores culturais da nossa nação, me recuso a crer que na expansão bilateral dos Afroempreendedores não houve divulgação de pelo menos “um” modelo representado diretamente por afrodescendentes em todo território nacional que contemple uma pesquisa de empreendedorismo brasileiro.
Com o Afroempreendedorismo e valorização cultural realizaremos essa parceria, peço a disponibilidade e colaboração para instruir-me através da vossa organização pública nos quesitos iniciais de representatividade para os Afroempreendedores, por meio de projetos podemos juntos acelerar os microempreendedores afrodescendentes com baixa renda e grande potencial, utilizaremos todas as formas de potencializar e dinamizar os elementos relacionados à cultura e à identidade de uma comunidade de forma a obter resultados para a nossa economia, pois somos mais de 68 milhões de consumidores negros no Brasil e mais de 11 milhões de Afroempreendedores. Apresentei aqui objetivamente a situação presente de um Afroempreendedor Brasileiro, sou imensamente grato e desde já deixo o meu total comprometimento e disponibilidade para criarmos uma parceria.
O meu contato é (11) 9-6240-2237 e estou disponível no WhatsApp através desse número também!

Atte.

Gessé Silveira Santos Júnior.

*Proposta: Fomento de cultura nos polos relacionados à Ancestralidade e Sustentabilidade!
Surgir meios facilitadores através da internet nos quesitos de formalização, regulamentação e cadastramento para os microempreendedores com diversidade étnica. Aplicativos e produtos de alta tecnologia com representatividade da comunidade afroindígena.

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